O capítulo 24 do livro de Josué conta a história do renovo da aliança com Deus, estando o povo reunido em Siquém.
Josué inicia o sermão trazendo à memória os feitos de Deus, citando os patriarcas, a descida do povo para o Egito e o envio de Moisés e Arão para resgatá-lo, a entrada na terra prometida e as intervenções divinas para que tudo isso fosse possível.
Depois, Josué manda o povo servir ao verdadeiro Deus e deitar fora os deuses dos egípcios e dos amorreus, acrescentando que independentemente da escolha, ele e sua casa serviriam ao Senhor (v. 15).
Diante da necessidade de escolha, o povo escolhe servir ao Deus de Israel, ao que Josué responde “não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus santo” (v. 19), pelo menos não enquanto os ídolos permanecessem de pé no coração daquele povo.
Resolvida essa pendência, Josué faz a aliança com o povo, erige (coloca de pé) uma grande pedra debaixo do carvalho que estava junto ao santuário do Senhor (v. 26), dizendo que a pedra seria como testemunha, por ter ouvido todas as palavras que o Senhor havia falado (v. 27).
Josué não desejava apenas que o povo se arrependesse dos pecados e manifestasse publicamente a escolha pelo verdadeiro Deus, mas também que o povo O servisse.
O pacto realizado com Deus foi realmente honrado por aquela geração, vindo a ser quebrado somente na geração que a sucedeu, a qual passou a servir aos baalins, por não ter conhecido ao Senhor (Juízes 2:10-11).
Isso demonstra a importância de educarmos nossos filhos, a fim de que possam caminhar na presença do verdadeiro Deus após a nossa partida.
A partir de agora, vamos investigar com mais profundidade alguns dos elementos presentes no momento do renovo do pacto, a fim de entender de forma mais adequada a atmosfera daquele ambiente e suas conexões com o passado e o futuro.
A história de Josué nas Escrituras Sagradas começa no Monte Sinai, quando ele é referido como servo de Moisés (Êxodo 24:13) e alguém que nunca se apartava do meio da tenda (Êxodo 33:11).
A tenda foi uma construção provisória antes da construção do Tabernáculo em Êxodo 40. Era o local em que Deus falava com Moisés (Êxodo 33:9) e onde o povo buscava a presença de Deus, mas sem nela adentrar (Êxodo 33:8).
Josué é um arquétipo de Cristo. Assim como Josué concluiu a missão iniciada por Moisés e introduziu o povo na Terra Prometida, o Senhor Jesus concluiu a própria missão, a fim de nos introduzir na Terra Prometida celestial.
As coincidências não param por aí. No hebraico, Josué (Yehoshua/Yeshua) e Jesus (Yeshua) são essencialmente o mesmo nome e apresentam o mesmo significado, pois Yeshua é abreviação de Yehoshua.
Talvez Moisés não soubesse, mas ao alterar o nome de Oséias (הוֹשֵׁעַ – Hoshea – “Salvação”) para Josué (יְהוֹשֻׁעַ – Yehoshua/Yeshua – “O Senhor é a salvação”), conforme registro em Números 13:16, ele acabou apontando profeticamente para o Filho de Deus.
Outro elemento importante a considerar é o próprio local da reunião para decidir entre os falsos deuses e o verdadeiro Deus.
Conforme Josué 24:1, o povo havia se reunido em Siquém e isso não aconteceu por acaso.
Inicialmente, observe a localização da antiga cidade nos mapas abaixo, a fim de se situar adequadamente.
O mapa da esquerda mostra a distribuição das tribos de Israel entre os anos de 1.200 e 1.050 a.C e o da direita corresponde a Israel no período do Senhor Jesus.

Como tudo no hebraico, a palavra “Siquém” (שְׁכֶם – Shekém – ombro, costado ou parte superior das costas) também tem o seu próprio significado.
Ela tem origem na raiz hebraica שכם (shakám), que também significa “erguer cedo”, “levantar o ombro para carregar algo”.
Em última análise, Siquém foi o lugar escolhido para o povo “carregar o pacto”. Como sabemos, séculos depois, o Senhor Jesus carregou na parte superior de suas costas ou ombro o madeiro, que é também um símbolo de uma Nova Aliança com Deus.
Siquém estava localizada na entrada do vale, próxima dos montes que simbolizam a bênção e a maldição.

A simbologia associada aos montes decorre de uma ordem dada pelo próprio Deus, nos seguintes termos:
“E será que, quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra, a que vais para possuí-la, então pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal.” Deuteronômio 11:29
As pessoas reunidas por Josué para renovar a aliança em Siquém já estavam familiarizadas com aquele local, pois há aproximadamente 20 ou 30 anos, elas haviam pronunciado as palavras de bênção sobre o monte Gerizim (Frutífero ou das Colheitas) e maldição sobre o monte Ebal (Descoberto ou Nu), a fim de cumprir a antiga ordem, conforme registra o texto de Josué 8:33.
O comando de Deus para pronunciar tais palavras tinha a clara intenção de causar um impacto visual e transmitir um ensinamento marcante sobre as consequências pela escolha que eles fariam naquele lugar anos depois.
Havia de fato um contraste entre os dois montes: um possuía vegetação e fontes; o outro era seco e infrutífero.
Esse apelo visual nos ajuda a compreender um pouco melhor as palavras de Jesus, ao dizer:
“Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” João 15:5
“Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” Apocalipse 3:17-19
Siquém é o local no qual Abraão edifica pela primeira vez um altar a Deus, conforme o texto de Gênesis 12:6-7.
Portanto, ao reunir o povo ali, Josué revive essa lembrança e os reconecta ao pacto com Abraão, retornando ao ponto de origem da promessa, onde Deus havia dito a Abraão que sua descendência herdaria aquela terra.
Segundo Josué 24, após o povo deitar fora os falsos deuses, isto é, removê-los do coração, Josué erige uma grande pedra debaixo de um carvalho, como sinal de conversão a Deus.
Esse ato indica que para fazer uma aliança com Deus, é necessário estar disposto a abandonar os velhos ídolos (pecado) e nos aproximar de Deus com o coração inteiro (Josué 24:23).
A pedra é um símbolo para Deus e isso é bastante evidente no hebraico.
אֶבֶן – Even – pedra ou rocha
Com as letras da palavra אֶבֶן (Even), é possível formar as palavras “pai” e “filho”. Essa peculiaridade ilustra bem a unidade entre o Pai e o Filho: a “Rocha” da salvação.
אב (Av): pai.
Exemplo: Avraham – pai de uma multidão
בן (Ben): filho.
Exemplo: Benyamin (Benjamim) – filho da felicidade
Por isso, estando no deserto, Moisés feriu a Rocha para extrair água e matar a sede do povo. Isso já referia o sacrifício do Filho, que nos dá a verdadeira água viva (João 4:10).
Se Deus extraiu água da rocha no deserto, Ele pode prover o extraordinário em sua vida de onde você menos espera!
No Evangelho, Jesus se referia a si mesmo como uma Pedra, conforme Mateus 21:44 e Marcos 12:10.
Foi assim também ao se dirigir ao seu discípulo Pedro, dizendo:
“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mateus 16:18
Jesus deixa claro que a igreja seria edificada sobre Ele mesmo — a verdadeira Rocha — e não sobre Pedro. Embora o nome “Pedro” também signifique “pedra”, ele não poderia ser o fundamento da igreja, pois é um homem falho como todos nós.
O contraste entre “Pedro” (petros, pedra pequena) e “pedra” (petra, rocha maciça) confirma que Jesus não estava estabelecendo Pedro como base, mas revelando que o Senhor Jesus era a “Rocha espiritual” (1 Coríntios 10:4), o único alicerce sobre o qual a igreja seria edificada.
Para não deixar qualquer dúvida sobre o assunto, o próprio Pedro afirmou claramente que o fundamento é Cristo, dizendo:
“Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.” Atos 4:11-12
Pedro participa da edificação, mas não é o fundamento. Cristo é o fundamento (1 Coríntios 3:11); Pedro é uma pedra entre muitas (1 Pedro 2:4–5).

Os carvalhos são também um símbolo da presença de Deus e marcavam lugares sagrados.
Começando pelo nome da árvore, ele tem o mesmo radical da palavra Deus:
אֵלָה (Elah – carvalho)
אל (El – Deus).
Exemplo: אל שדי (El Shadday – Deus Todo-Poderoso)
Trata-se de uma árvore que pode viver por mais de 1000 anos, se bem cuidada, e isso já refere o reinado milenar de Cristo. Devido à longevidade, os carvalhos eram considerados como testemunhas da fé antiga e da história da aliança.
A região do antigo pacto realizado entre o povo e Deus em Siquém foi o cenário para um novo encontro, desta vez com o Senhor Jesus, no qual o povo daquela região pôde escolher de novo entre a bênção e a maldição.
O relato está no capítulo 4 de João, que narra o encontro de Jesus com a mulher samaritana.
“Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.” João 4:5-7
Reveja o mapa:

Jesus foi à cidade de Sicar e se dirigiu até o poço de Jacó, que está localizado na zona mais baixa e central do vale entre os montes de Gerizim e Ebal, onde o antigo pacto foi celebrado nos tempos de Josué.
Por isso, durante a conversa, o monte é mencionado pela mulher e por Jesus:
“Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.” João 4:19-21
Após conversar com a mulher e transformá-la em missionária naquele mesmo dia, porque ela sai e começa a falar de Jesus na cidade, muitas pessoas vão até o Senhor Jesus para ouvirem a Palavra e decidirem novamente entre a bênção e a maldição, salvação pela graça ou pelas obras da lei, naquele mesmo cenário que Deus havia preparado para ensinar as consequências por cada escolha: Gerizim e Ebal.
O resultado foi este:
“E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias. E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra. E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.” João 4:39-42
Em relação ao referido poço de Jacó, ele continua fornecendo água até hoje, proveniente de fontes subterrâneas e águas superficiais infiltradas.

Ele está localizado no interior de uma Igreja Ortodoxa Grega, localizada na cidade de Nablus (antiga Siquém), Cisjordânia:

A Cisjordânia é um território disputado entre israelenses e palestinos e palco frequente de tensões.

Em razão dos conflitos, quase setenta por cento da divisa entre Israel e a Cisjordânia foi cercada com a estrutura que aparece na imagem da direita.
Como vimos, Josué reuniu o povo para que este escolhesse entre servir ou não ao verdadeiro Deus, e isso é mais do que apenas crer, fazendo de Siquém o vale da decisão.
Mais tarde, na região de Siquém, muitos samaritanos se arrependeram e confessaram o Senhor Jesus Cristo como o Salvador de suas vidas!
Assim como o povo de Israel abandonou os ídolos para servir a Deus, nós devemos rejeitar também os nossos próprios ídolos (pecados) para que possamos servir ao Senhor agora mesmo.
Os encontros em Siquém nos ensinam que para ser salvo, é necessário se arrepender e confessar publicamente a fé em Deus, no Senhor Jesus Cristo.
Isso foi reafirmado por Jesus.
“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.” Mateus 10:32-33
E pelo apóstolo Paulo:
“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” Romanos 10:9-10
O ato de confissão deve ser acompanhado com a recepção do Senhor Jesus como Único, Suficiente e Eterno Salvador de nossas vidas.
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;” João 1:11-12
É somente recebendo o Senhor Jesus que deixamos de ser criaturas e nos tornamos filhos de Deus. Receber é diferente de aceitar.
Agora mesmo, espalhadas por congregações do mundo inteiro, quantas pessoas até frequentam os cultos com alguma regularidade, mas nunca:
Às vezes focamos nossas ações de evangelismo do lado de fora do “arraial”, enquanto muitas pessoas ainda não cumpriram toda a justiça, estando dentro dele.
“Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim? Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.” Mateus 3:14-15
Quem ainda não confessou e não recebeu o Senhor Jesus como Salvador de sua vida, procure fazer isso diante dos homens o mais rápido possível, a fim de “cumprir toda a justiça”.
Manifestar publicamente a fé no Senhor Jesus é um requisito bíblico e os resultados visíveis dessa escolha serão os muitos frutos que essa pessoa produzirá, assim como o Gerizim, o Monte Frutífero.
Se esses frutos não estão presentes, é necessário avaliar os próprios atos e verificar que tipo de obras estão sendo realizadas para o Senhor Deus.
Todos os dias precisamos escolher entre servir a Deus ou não servir e nossas obras determinam se estamos frios, mornos ou quentes na presença do Senhor (Apocalipse 3:15).
Se alguém não está “quente” na presença de Deus, isso pode ser um indício de que chegou a hora de renovar a aliança com o Criador, tal como fez o povo em Siquém.
Glória a Deus e que o Senhor Jesus nos abençoe!
]]>De fato, a Bíblia não trata diretamente da posse de animais domésticos, mas apresenta princípios que ajudam a regular essa relação, para que ela reflita a justiça e a ordem divina também dentro do lar.
Entre os judeus praticantes, o tema assume maior relevância, pois a presença de animais em casa pode exigir cuidados específicos em certas observâncias religiosas, como o shabat, a fim de que nenhuma proibição ritual seja violada — por exemplo, ao carregar, alimentar, limpar ou tratar um animal de modo que envolva esforço proibido.
Os animais no passado
Os animais foram criados por Deus e servem ao propósito designado pelo Criador, que delegou ao homem a tarefa de nomeá-los (Gênesis 2:19-20) e dominá-los (Gênesis 1:28).
Curiosamente, antes da queda, homens e animais se alimentavam apenas de ervas e frutos das plantas (Gênesis 1:29–30). Foi somente após o dilúvio que Deus autorizou o consumo de carne (Gênesis 9:3).
Por muito tempo, os animais serviram apenas a propósitos utilitários e existenciais para os homens, oferecendo força bruta, transporte, vestuário e segurança alimentar.
Embora a figura do animal doméstico já fosse uma realidade em antigos impérios, como no Egito por volta de 3.000 a.C. — onde gatos eram venerados e cães e macacos domesticados —, a ideia de manter um animal apenas por afeto e companhia é relativamente recente.
O surgimento dos pets
Foi apenas mais recentemente, após a Segunda Grande Guerra Mundial, que os animais domésticos passaram a se consolidar como companheiro emocional — passando a receber, inclusive, status de membro da família.
Com isso, uma indústria inteira surgiu para atender essa nova relação entre humanos e animais, oferecendo produtos e serviços antes inexistentes e transformando a afeição em um mercado multibilionário.
Entre as décadas de 1970 e 1980, com a urbanização crescente e a queda da natalidade, muitos passaram a atribuir aos pets o papel simbólico de “filhos substitutos” dentro dos lares.
No Brasil, esse fenômeno se intensificou: o país é hoje o 3º maior mercado pet do mundo, atrás apenas dos EUA e da China, um resultado impressionante, considerando que o país é apenas a 10ª maior economia do planeta. O mercado pet mundial já ultrapassa a marca dos US$ 300 bilhões anuais.
Sem dúvida, a indústria pet vem explorando esse lucrativo segmento, ao mesmo tempo em que incentiva o crescimento dele através de esforços publicitários, especialmente nas redes sociais, onde a atuação de “influenciadores pet” tem contribuído para esse aumento.
Todo esse esforço da indústria, aliado ao apelo emocional e às decisões impensadas na hora de adotar um pet, vem provocando uma série de comportamentos reprováveis segundo as Escrituras Sagradas — alguns dos quais veremos a seguir.
1. Atribuir valor excessivo
Um erro comum é atribuir aos animais um valor desproporcional, dedicando-lhes mais tempo, atenção e recursos do que se dedica a outras pessoas — ou até a Deus.
As Escrituras, porém, são claras: Deus deve ser amado acima de todas as coisas (Mateus 22:36-40), e a vida humana tem valor superior à dos animais (Gênesis 1:26–28; Mateus 10:29-31).
Não são raros os que afirmam: “Dou mais valor aos animais do que aos seres humanos.” Embora essa frase possa parecer compreensível diante da corrupção moral da humanidade, ela revela um desalinhamento espiritual, muitas vezes alimentado por mágoas e decepções que acabam distorcendo o amor bíblico e o senso de prioridade.
2. Substituir o amor ao próximo
Outro erro comum é transferir ao animal um afeto que deveria ser direcionado a pessoas. O amor, segundo a Bíblia, é relacional e comunitário — ele se expressa em atos concretos de misericórdia, perdão e cuidado mútuo.
Quando alguém canaliza todo o seu amor e atenção apenas para o pet, negligenciando a convivência e o relacionamento humano, acaba contrariando o propósito divino. Desde o princípio, Deus declarou:
“Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18).
O isolamento afetivo e social — ainda que suavizado pela presença de um animal — não supre a necessidade espiritual de comunhão humana, algo que pode ser vivenciado em um ambiente congregacional, por exemplo. O amor ao próximo é uma ordenança direta de Cristo (Mateus 22:39), e não pode ser substituído por laços afetivos com a criação.
3. Servir mais à criatura do que ao Criador
Alguns chegam a desenvolver um apego tão intenso aos pets que isso passa a competir com o tempo e o espaço que deveriam ser dedicados à oração, leitura da Palavra e convivência com a comunidade de fé.
Quando o cuidado ou o afeto por um animal se tornam uma obsessão, o relacionamento com Deus é comprometido.
Esse tipo de apego pode parecer inofensivo, mas espiritualmente revela uma inversão de prioridades, pois o Criador jamais deve ser substituído pela criação (Romanos 1:25).
4. Gastar com luxos animais enquanto ignora necessidades humanas
Outro comportamento reprovável ocorre quando pessoas gastam valores excessivos com produtos, acessórios ou tratamentos de luxo para seus animais, mas fecham o coração diante da miséria humana.
O apóstolo João adverte:
“Se alguém possuir recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1 João 3:17).
Cuidar bem de um animal é correto e até louvável; mas fazê-lo de forma ostentatória ou desproporcional, enquanto o próximo passa fome ou frio, é espiritualmente incoerente e moralmente injustificável.
O verdadeiro amor cristão não se expressa em luxo, mas em compaixão.
5. Superstição e crenças espirituais envolvendo animais
Em alguns contextos, há quem atribua aos animais poderes espirituais, protetores ou energias positivas, práticas que se aproximam da superstição e do sincretismo religioso.
A Palavra de Deus é categórica:
“Não se ache entre ti quem… pratique adivinhação, ou seja agoureiro (supersticioso), ou feiticeiro, ou encantador, ou quem consulte os mortos… Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor” (Deuteronômio 18:9–12).
Quando os animais são elevados à condição de amuletos ou mediadores espirituais, há uma violação direta do primeiro mandamento (Êxodo 20:3). O cristão deve amar e respeitar a criação, mas jamais atribuir-lhe poderes que pertencem unicamente ao Criador.
6. Desordem no lar
Outro problema comum é quando a presença dos animais gera desorganização, sujeira, conflitos familiares ou inversão de prioridades dentro do lar.
Deus é um Deus de ordem (1 Coríntios 14:33), e essa característica deve refletir-se também no ambiente doméstico. Um lar espiritualmente equilibrado é aquele em que cada área da vida — inclusive o cuidado com os animais — está sob controle e harmonia.
Quando os pets ocupam espaços indevidos, comprometem a limpeza, perturbam o descanso ou se tornam motivo constante de discórdia, a ordem divina é substituída por confusão.
Há casos em que o lar, antes lugar de paz, se torna um ambiente caótico, dominado por latidos, pelos, mau cheiro e tensões, o que revela que algo se perdeu no equilíbrio espiritual e familiar.
Cuidar bem de um animal não deve significar descuidar da casa, da família ou da comunhão com Deus. O lar deve continuar sendo um espaço de edificação, e não de desordem.
Por isso, a fim de que a justiça e a ordem de Deus sejam refletidas no lar, limites e regras claras envolvendo o cuidado da casa e do animal devem ser observados por todos.
7. Maltratar ou negligenciar o animal sob o pretexto de “domínio”
Infelizmente, o apelo emocional das redes e da mídia também leva muitos a adotar animais por impulso, sem preparo ou condições reais. Mais tarde, acabam prejudicando a si mesmos e aos próprios animais, resultando em maus-tratos e abandonos, o que é duplamente reprovável diante de Deus e da sociedade.
Há ainda quem abuse da autoridade que Deus concedeu ao homem sobre os animais, confundindo domínio com opressão.
A ordem de Gênesis 1:28 — “dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre todo animal que se move sobre a terra” — não autoriza crueldade, negligência ou abandono. O verdadeiro domínio implica responsabilidade, cuidado e mordomia fiel da criação.
Provérbios 12:10 declara:
“O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos ímpios é cruel.”
Cuidar bem dos animais não é luxo, mas expressão de justiça e compaixão — marcas do caráter de Deus refletidas no homem.
Conclusão
O amor aos animais é legítimo e pode refletir a ternura do Criador. Contudo, quando esse afeto se transforma em idolatria, desequilíbrio, negligência espiritual, descuido do lar ou maus tratos, o cristão precisa reavaliar seus atos à luz das Escrituras.
O amor aos animais é legítimo e pode refletir a ternura do Criador. Contudo, quando esse afeto se transforma em idolatria, desequilíbrio, negligência espiritual, descuido do lar ou maus-tratos, o cristão deve reavaliar seus atos à luz das Escrituras, buscando honrar a Deus em todas as suas relações e responsabilidades.
O verdadeiro amor é aquele que honra a Deus, valoriza o próximo e trata a criação com respeito — sem inverter os papéis entre o Criador e suas criaturas.
]]>Apesar de seu tamanho reduzido, essa nação atrai a atenção do mundo inteiro, divide opiniões, inspira admiração e repúdio, amor e ódio, e ocupa grande espaço na agenda de instituições internacionais — como a ONU, a UNESCO, o Fundo Monetário Internacional e o Tribunal Penal Internacional —, acumulando inimigos como nenhum outro país do mundo.
Nesse estudo, apresentarei os possíveis motivos pelos quais Israel chama tanto a atenção do mundo, mesmo sendo um país tão pequeno.
Uma terra sagrada para muitos
Israel é considerado um lugar sagrado, palco de acontecimentos que marcaram a história da humanidade e local onde ainda serão descortinados os últimos eventos há muito preditos.
O fato de cerca de 56% da população mundial manter uma relação profunda com Israel, isso se considerarmos apenas o número combinado de adeptos das três religiões abraâmicas, ajuda a explicar o fenômeno.
Para os judeus (judaísmo), Israel é a terra prometida por Deus a Abraão e seus descendentes, e Jerusalém é o centro espiritual onde ficava o Templo, um lugar reservado para adoração.
Para os cristãos (cristianismo), é o lugar onde o Senhor Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou, tornando-se símbolo da fé e esperança na salvação.
Para os muçulmanos (islamismo), embora o islamismo tenha nascido na Arábia, Jerusalém é considerada a terceira cidade mais sagrada, pois abriga a Mesquita de Al-Aqsa, de onde, segundo o Alcorão, o profeta Maomé teria alegadamente ascendido aos céus.
Assim, embora cada religião tenha suas próprias crenças e interpretações, todas compartilham uma ligação histórica e espiritual com Israel, tornando essa região um ponto de atenção para bilhões de pessoas ao redor do mundo.
Fronteiras demarcadas por Deus
Israel é o único país do mundo cujo território foi estabelecido pelo próprio Deus, conforme registro em Números 34:1–12, que descreve os limites originais da terra de Canaã.
Esse fato cria um ponto de tensão no mundo espiritual, no qual os adversários de Deus, aproveitando-se de brechas abertas por pecados cometidos pelo povo eleito, têm inspirado ao longo da história nações e líderes a se levantarem contra o povo da aliança, tentando usurpar ou destruir a terra que Deus separou para Si.
Entretanto, a Escritura mostra que, em determinadas épocas, o próprio Deus permitiu que povos estrangeiros oprimissem Israel — não para aniquilá-lo, mas para discipliná-lo e levá-lo ao arrependimento, reafirmando que a terra e a história pertencem ao Senhor.
Por essa razão, nenhum outro país enfrentou tantas guerras nem acumulou tantos inimigos quanto Israel.
Desde sua formação, Israel enfrentou inimigos por todos os lados, e quase sempre por causa de sua aliança com Deus ou de sua posição estratégica e espiritual no mundo.
Esse fato nos mostra que o mundo espiritual é o verdadeiro motivo por trás das batalhas travadas no mundo visível, e isso desde o começo da história do povo judeu.
As guerras não são desejadas, mas elas cumpriram o propósito de provar a veracidade das profecias bíblicas, pois Deus, no decorrer dos tempos, tem garantido a sobrevivência do povo judeu até agora.
Se os judeus perecessem e Jerusalém fosse para sempre destruída, todo o registro bíblico se tornaria inválido imediatamente, pois isso teria inviabilizado a primeira vinda do Messias, a fim de morrer na cruz, e também inviabilizaria a segunda, a fim de fazer juízo.
Portanto, destruir Israel, mais especificamente a cidade de Jerusalém, e assim impedir o cumprimento da profecia, é algo que o adversário de nossas almas e seus apoiadores levam muito a sério.
Esforços para impedir o cumprimento de antigas profecias já foram realizados no passado. Exemplo disso ocorreu quando o sultão Solimão, líder do antigo Império Otomano, mandou fechar o Portão Oriental da muralha de Jerusalém em 1541, temendo o cumprimento da profecia que previa a entrada triunfal do Messias por aquela porta (ver estudo completo), conforme o relato de Ezequiel 43:1-7.
Portanto, aquele que crê nas Escrituras Sagradas reconhece em cada vitória de Israel um motivo de júbilo e confirmação da fidelidade divina. O cumprimento contínuo das profecias testifica que a palavra do Senhor se cumpre exatamente como foi dita, conforme declara Deuteronômio 18:22.
A linhagem da promessa
Outro fator essencial para compreender o fenômeno envolvendo Israel é que Deus estabeleceu a linhagem daquela nação exclusivamente por meio de Abraão e Sara, através de Isaque, o filho da promessa e legítimo herdeiro do pacto divino (Gênesis 17:21).
Entretanto, antes do nascimento de Isaque, Abrão — ainda com o nome anterior — teve um filho chamado Ismael, gerado com a serva egípcia Agar, por sugestão da própria Sara (Gênesis 16:1–4). Tal decisão humana, motivada pela idade avançada do casal (Gênesis 18:11–12) e pela esterilidade de Sara (Gênesis 11:30), resultou em sérias consequências.
O filho fora da promessa trouxe ruptura familiar (Gênesis 16:6), originando uma rivalidade entre os descendentes que atravessou gerações e cujos efeitos ainda se fazem sentir nos dias atuais — realidade que ajuda a explicar parte da hostilidade dirigida à nação de Israel.
Em última análise, tanto os judeus quanto grande parte dos povos árabes remontam sua origem ao mesmo patriarca: Abraão.
A prosperidade que incomoda
A inveja pela prosperidade de Israel é um dos motivos recorrentes das perseguições contra os judeus ao longo da história.
Diversos historiadores reconhecem que parte do antissemitismo europeu, entre os séculos XII e XX, teve origem no ressentimento popular diante do êxito econômico e intelectual dos judeus, que prosperavam mesmo sob opressão — culminando na perseguição mais conhecida, a que se originou na Alemanha de Hitler.
Por razões que muitas vezes escapam à própria consciência, certas pessoas experimentam desconforto diante da prosperidade alheia, mesmo quando esta é fruto de esforço legítimo e honesto.
Assim, influenciadas por forças espirituais, pessoas e nações acabam se voltando contra quem é abençoado.
Esse mesmo fenômeno se aplica a Israel, especialmente entre povos vizinhos, muitos deles descendentes do mesmo patriarca — um conflito, portanto, também familiar.
Os sinais da bênção sobre Israel são incontestáveis: cerca de 15% dos bilionários do mundo são judeus, proporção altíssima, considerando a pequena população do país. Israel é líder mundial em inovação e tecnologia, com o setor respondendo por 19% do PIB e mais de 50% das exportações.
Mesmo com terras áridas, alcançou produção agrícola moderna e expressiva, próxima de US$ 11 bilhões em 2024.
Com educação de ponta e saúde de excelência, alto IDH e até vacas leiteiras recordistas, Israel literalmente se tornou uma terra que “mana leite e mel” (Jeremias 11:5).
Tudo isso cumpre as promessas de Deus (Deuteronômio 30:3-5; Amós 9:13-15).
Conforme o coração de cada um, a prosperidade de Israel pode despertar inveja e oposição, ou admiração e amor, neste último caso, especialmente entre as pessoas que foram enxertadas (Romanos 11:17-24) na mesma linhagem espiritual daquele povo, em Cristo, onde já não há separação (Romanos 10:12; Colossenses 3:11; Gálatas 3:28).
As promessas de Deus
Em relação às promessas, as Escrituras Sagradas estão repletas de textos direcionados especificamente a Israel.
Por exemplo, foi somente a Israel que Deus prometeu coisas grandiosas, como se tornar o centro do governo e adoração mundial, na ocasião da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, para cumprir as antigas profecias (Zacarias 14:1-21, Isaías 2:2-4 e Jeremias 3:17).
Como sabemos, em sua primeira vinda, o Messias teria que ser rejeitado pelo povo de Israel, conforme registros dos servos de Deus (Isaías 53, Salmos 22:12-18, Zacarias 11:13).
Deus também prometeu que o povo judeu será ainda mais próspero do que já é atualmente, conforme o texto de Zacarias 14:1,14.
Mas a promessa mais importante dirigida à nação eleita é, sem dúvida, a que trata da salvação de todo o Israel (Romanos 11:26), pois de Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades.
Todas essas promessas podem despertar um sentimento de inveja e até indignação nas pessoas das demais nações, as quais, procuram sempre acusar e oprimir os judeus, independentemente de estarem errados ou não.
Como exemplo, o Conselho de Direitos Humanos (CDH) e a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) emitem mais resoluções contra Israel do que contra qualquer outro país do mundo, condenando-o até mesmo quando está apenas se defendendo de agressões externas.
Uma promessa de Deus para um indivíduo ou mesmo uma nação pode gerar sentimento de inveja e ódio nas pessoas e o caso de José, filho de Jacó, é um claro exemplo disso.
Segundo o relato de Gênesis 37:5-11, os irmãos de José nutriram um sentimento de inveja e ódio contra o irmão, pelo fato de este ter recebido uma promessa de Deus, no sentido de que ele reinaria até mesmo sobre os seus parentes.
Conforme as Escrituras, os irmãos de José tomaram providências radicais, a fim de que a promessa não se cumprisse na vida do irmão. No entanto, as medidas que tomaram resultaram em uma série de eventos que culminaram no cumprimento da promessa (Gênesis 41:40-44).
Com Israel, a situação é exatamente a mesma. Mesmo que as pessoas não conheçam a verdadeira razão do ódio e inveja que elas nutrem por Israel, a qual é espiritual, essa perseguição não frustrará as promessas de Deus em relação àquela nação!
O ódio contra Israel aumentará
À medida que o tempo para o cumprimento das promessas finais se aproxima, como o estabelecimento do governo messiânico sobre o mundo, a partir de Israel, aumentará também o ódio contra aquele país, em razão da já referida influência espiritual, que vê na destruição de Jerusalém sua única chance para impedir a sua própria destruição.
Por essa razão, as pessoas que estiverem sob essa influência espiritual perversa odiarão cada vez mais o povo escolhido, um sentimento coletivo que resultará no cerco de Israel e, em última instância, da própria cidade de Jerusalém (Zacarias 14:1-3)
A fim de cumprir as últimas promessas, Deus permitirá que o crescente sentimento de ódio em relação a Israel se converta em ações ofensivas reais contra aquele país.
Porém, segundo a Palavra de Deus anunciada pelo profeta, o próprio Senhor virá ao socorro de Jerusalém e punirá as nações que se deixaram seduzir pelo inimigo espiritual, que via na destruição de Jerusalém a sua única chance de sobrevivência.
Atualmente já temos observado o mundo caminhando para esse desfecho inevitável: Israel desperta opiniões intensas e polarizadas no mundo inteiro, desde um simples comentário em uma rede social ao discurso inflamado de políticos e líderes nacionais, como Adolf Hitler, líder do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães.
A política e seus interesses
Normalmente os elementos da esquerda e simpatizantes do comunismo costumam se posicionar contra Israel, algo que forçará o anticristo a adotar um posicionamento mais de direita, a fim de convencer e enganar os judeus.
E por falar em anticristo, o profeta Daniel o comparou à figura de um chifre pequeno (Daniel 7:8). Isso indica que, inicialmente, ele não ocupará um cargo de grande expressão, como o de um presidente de uma nação, que é naturalmente representado na visão do profeta como um chifre de tamanho normal.
O texto também revela expressamente que o anticristo se elevará apenas durante a fase do governo dos dez reis, algo que acontecerá quando o mundo se organizar politicamente em apenas dez blocos de poder, algo que efetivamente ainda não se concretizou.
Para mais informações sobre esse assunto, acesse o estudo “Da Babilônia ao Milênio”, disponível aqui no Evangelismo.
Estratégias de engano
A partir de agora, o inimigo usará estratégias cada vez eficientes para conduzir pessoas ao engano.
Uma das mais recentes, que inclusive está apanhando muitos cristãos desinformados, justifica a oposição ao povo judeu, sob a alegação de que “o Israel de hoje não é o mesmo Israel da Bíblia”, levando em conta a atual corrupção moral que recai sobre parcela da população da terra eleita.
Quando observamos o passado do Israel bíblico, o qual está manchado por histórias de corrupção, idolatria e até rituais de sacrifício oferecidos a entidades pagãs, logo se percebe que a afirmação sobre o atual Israel não deve ser levada a sério.
A verdade é que o Israel de hoje não é muito pior do Israel de antigamente, que chegou a sacrificar seus filhos para o falso deus Moloque (2 Reis 23:10), mesmo depois de terem sido proibidos de realizarem tais práticas abomináveis (Levítico 20:2).
Mesmo assim, enganos como esse arrebanharão ainda mais pessoas para a luta contra Israel (Zacarias 14:1-3), mas os verdadeiros filhos de Deus manterão vivas as suas boas intenções em relação ao povo judeu, do qual procede o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador.
Conclusão
Como vimos, a verdadeira razão para Israel atrair a atenção de muitos só pode ser explicada considerando a influência exercida pelo mundo espiritual.
Nesse sentido, a manifestação de amor ou ódio dependerá do tipo de influência que governa a vida de cada pessoa.
De forma mais precisa, se alguém é influenciado por forças benignas, essa pessoa será benéfica ao povo judeu; se a influência é maligna, o sentimento resultante será de ódio e inveja.
Essas reações não ficarão sem resposta de Deus. Segundo Gênesis 12:1-3, aqueles que abençoarem Israel serão igualmente abençoados, enquanto os que amaldiçoarem os judeus receberão maldição como recompensa.
Louve a Deus pela fidelidade do Senhor para com Israel, pois ela é a mesma que Ele tem para com a Sua Igreja.
Glória a Deus!
E quanto a você, qual é a sua posição em relação a Israel?
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]]>Por exemplo, se você deseja adquirir um automóvel ou um imóvel, casar, obter um diploma de nível superior, doar um bem, fazer um testamento ou mesmo constituir uma empresa, deverá seguir uma série de procedimentos formais, a fim de que o ato seja legítimo e tenha validade diante da sociedade.
Da mesma forma, para receber Jesus, algumas formalidades também devem ser observadas e certos requisitos precisam ser satisfeitos.
Segundo as Escrituras Sagradas, quem deseja entregar a vida ao Senhor Jesus deve arrepender-se de seus pecados:
“Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei até ele, e com ele cearei, e ele comigo.” Apocalipse 3:19,20

Quando a pessoa se arrepende, e isso acontece porque o Senhor Jesus está batendo à porta do coração, ela finalmente se abre para o Salvador. A partir desse momento, uma série de mudanças e transformações começa a acontecer na vida do crente.
Além do arrependimento, o ato de receber Jesus requer também a confissão pública, diante dos homens, conforme ensina o Evangelho:
“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus.” Mateus 10:32,33
O apóstolo Paulo reforça essa verdade, ensinando que é necessário crer com o coração e confessar com a boca (Romanos 10:9–10), ou seja, declarar com as próprias palavras:
“Eu creio que Jesus é o Filho Unigênito de Deus e O confesso como meu Senhor e único Salvador.”
A palavra falada produz efeitos reais — não apenas na confissão, mas também na oração e em todo ato de fé:
“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;” Mateus 21:21
Aceitar ou receber Jesus?
Quanto à confissão pública, há ainda uma outra formalidade pouco observada, mas de grande importância.
Muitos acreditam que “aceitar o Senhor Jesus” é o mesmo que “recebê-lo”. Alguns pregadores concluem o sermão dizendo: “Quem quer aceitar Jesus?”
No entanto, essa expressão não reflete com precisão o ensinamento bíblico:
“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome;” João 1:11,12
A palavra traduzida por “receberam” é λαμβάνω (lambánō), que significa literalmente: “tomar, acolher, apropriar-se, aceitar de modo ativo e consciente.”
Nesse sentido, “receber” não é apenas concordar mentalmente, mas acolher e unir-se àquele que é recebido. Trata-se de um verbo ativo, que expressa envolvimento e identificação.
Aceitar Jesus pode apresentar um sentido semântico equivalente ao de “eu concordo que Ele é o Salvador”, recebê-lo, porém, é dizer “eu me uno a Ele e passo a pertencer-Lhe”.
O resultado de recebê-lo
Quem recebe o Senhor Jesus deixa de ser apenas criatura (Marcos 16:15) e se torna filho de Deus (João 1:12).
Isso significa que o título de “filho do diabo”, o qual também aparece na Bíblia, não se aplica àqueles que verdadeiramente receberam o Senhor Jesus em suas vidas — pois foram feitos filhos de Deus.
Mas quem apenas “aceitou” Jesus de modo superficial, sem arrependimento e fé genuína, permanece na antiga filiação, porque não cumpriu os requisitos espirituais estabelecidos pela Palavra.
Por isso, a Bíblia mostra que, dentro da mesma congregação, há vasos de honra e de desonra, trigo e joio, filhos de Deus e filhos do diabo — porque nem todos realmente receberam o Senhor Jesus e foram regenerados.
Um “filho do diabo”, assim como os demônios, pode reconhecer (aceitar) que Jesus é o Filho de Deus (cf. Mateus 8:28–29; Marcos 1:23–24; Lucas 4:33–34), mas tal reconhecimento não nasce do arrependimento nem resulta em salvação.
A presença do Espírito Santo
Antes de receber o Senhor Jesus, o coração humano está vazio — ou, pior, ocupado por forças malignas (Lucas 11:24–26).
Somente ao recebê-lo é que o processo de libertação (João 8:32,36) começa, e o Espírito Santo passa a habitar no crente (Efésios 2:20–22; João 14:23–26; 1 Coríntios 6:19), conduzindo a transformação e o aperfeiçoamento contínuo (1 Pedro 5:10).
Dedicação exclusiva
Receber o Senhor Jesus é mais do que um ato de fé, mas também um ato de entrega total. Não há espaço para outros mediadores, santos ou padroeiros, pois há um só Caminho (João 14:6) e um só Mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo homem (1 Timóteo 2:5), que morreu e ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15:3–4) para nos salvar.
É por isso que o Senhor nos convida para si mesmo, e não para uma outra pessoa:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Mateus 11:28-30
Se alguém deseja realmente recebê-lo, deve abrir mão de toda devoção concorrente e conceder a Ele o primeiro e único lugar no coração.
Da mesma forma que a glória de Deus preenche toda a terra (Isaías 6:3), Jesus quer ocupar por completo a sua vida, sem concorrência (João 15:4–5, Mateus 6:24, Gálatas 2:20).
Conclusão
Se você deseja entregar sua vida ao Senhor Jesus, siga o caminho que o Evangelho ensina:
arrepender-se, recebê-lo e confessá-lo publicamente, para que o mundo visível e o espiritual (Lucas 15:10) sejam testemunhas da sua fé.
Manifeste sua fé em Cristo também por meio de suas ações, para que o mundo veja que sua vida pertence ao Senhor — e, assim, o Pai seja glorificado.
Lembre-se:
Jesus não quer ser apenas aceito como uma ideia, mas recebido como Senhor da sua vida.
Ele deseja habitar plenamente em você, guiando cada decisão, passo e pensamento — até que toda a sua vida seja para a glória de Deus.
Procure o mais rápido possível o batismo nas águas, que é também um sinal público de confissão. Sobre esse assunto, recomendo que acesse esse outro estudo.
]]>Por exemplo, não foi por acaso a insistência de Jesus em realizar curas aos sábados (shabat) ou ao proferir a memorável declaração “quem tiver sede, venha a mim e beba”, durante a festa dos Tabernáculos, conforme relato em João 7.
As festas que veremos adiante estão relacionadas no livro de Levítico (וַיִּקְרָא – Vayikrá – E chamou):
“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do Senhor, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades:” Levítico 23:2
Inicialmente, acerca da palavra destacada, algumas traduções da Bíblia utilizam a palavra festa ou tempos designados. No idioma original, a palavra correspondente é מוֹעֲדֵי (MOADEY), que significa um tempo designado, período sagrado ou reunião.
Porém considerando que as letras hebraicas se originaram de antigos símbolos pictográficos, e que cada letra possui seu próprio significado, a palavra מוֹעֲדֵי (MOADEY) pode representar: (מ) Um fluxo/movimento (ו) de ligação (ע) que abre os olhos (ד) para a porta (י) onde a mão de Deus se estende.
Numa interpretação alegórica, as festas são encontros designados onde Deus abre uma Porta no tempo para que o Seu povo O veja, seja ligado a Ele e receba Sua mão estendida (bênção de Deus).
Essa Porta, representada pela letra ד (DALET), é uma clara referência ao Senhor Jesus, que é a Porta (João 10:9) aberta por Deus no tempo designado.
Veremos adiante cada uma das festas bíblicas, a fim de entender como elas se conectam ao Senhor Jesus, Sua obra e processo de salvação.
No total, o capítulo 23 do livro de Levítico fala de oito tempos determinados (festas), sendo um semanal e sete anuais, conforme veremos a seguir.
FESTA SEMANAL
Shabat (Sábado)
“Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; sábado do Senhor é em todas as vossas habitações.” Levítico 23:3
Significado para:
Os judeus observavam o shabat, mas de forma rígida, sem considerar outros elementos igualmente importantes para Deus, como fazer o bem e exercer a misericórdia, mesmo que isso significasse carregar alguma carga durante esse dia (Mateus 12:11-12).
Além disso, há um outro motivo para a insistência de Jesus em realizar milagres durante o shabat, mesmo que isso tenha lhe custado algumas perseguições, como a de Mateus 12:14.
Em seu significado profético, o shabat aponta para um período de repouso messiânico. Ao realizar curas durante o shabat, Jesus estava demonstrando que o Messias havia chegado e estava trazendo repouso e alívio ao povo (Mateus 11:28-30).
Não há problema em separar o sábado como dia de dedicação a Deus, porém estabelecer isso como mandamento obrigatório para a igreja ou crer que a salvação dependa da observância do shabat é eleger um outro mediador e negar a graça de Deus.
A Tanakh (Bíblia Hebraica ou Velho Testamento) trazia instruções bastante claras sobre o que poderia ser feito ou não durante o shabat.
Por exemplo, era proibido realizar trabalhos em geral (Êxodo 20:10, Levítico 23:3), acender fogo (Êxodo 35:3), carregar cargas (Jeremias 17:21-22) e negociar, comprar ou vender (Neemias 13:15).
Os discípulos de Jesus Cristo claramente violaram esses preceitos quando colheram espigas e as comeram no sábado (Mateus 12:1-2), pois a ação de colher e debulhar era um trabalho agrícola.
Ao homem curado de uma enfermidade, Jesus deu a ordem para ele carregar o seu leito, e isso durante o shabat (João 5:8-10).
Por causa desses feitos realizados durante o sábado, alguns dos fariseus (elite religiosa de Israel) chegaram a dizer que Jesus não era de Deus, pois não guardava o shabat (João 9:16).
Portanto é indiscutível que houve um quebrantamento do shabat, mas não por desobediência à Lei, mas sim por cumprimento dela, afinal o Messias era o próprio repouso e até do shabat Ele é Senhor.
Quando o Senhor Jesus retornar em sua segunda vinda para governar, com toda certeza o shabat voltará a ser celebrado durante o período do seu reinado milenar (Isaías 66:23, Ezequiel 44:24 e 46:1-4), porém desta vez sob as orientações do próprio Rei dos reis. Vai ser uma bênção!
Agora veremos cada uma das festas anuais, na ordem em que aparecem em Levítico 23.
FESTAS ANUAIS
1. Páscoa (Pesach) – 14º dia do 1º mês (nisã)
“Estas são as solenidades do Senhor, as santas convocações, que convocareis ao seu tempo determinado: No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor.” Levítico 23:4,5
Significado para:
A festa da Páscoa deve ocorrer no mês de nisã, o primeiro mês na contagem do calendário religioso de Israel.
A Páscoa é a primeira das grandes festas anuais e isso não é por acaso, pois ela representa o marco inicial para todos os processos que acontecem na sequência, os quais estão representados nas demais festas, pois tudo resulta do sacrifício.
Da mesma forma, o sacrifício de Cristo é o evento inicial que nos introduz no Reino de Deus e que desencadeia uma série de outros fenômenos relacionados ao processo de salvação, como o arrependimento, o desejo por mudança e santificação, o recebimento do Espírito Santo, o despertar para a vigilância, o serviço missionário, os quais também representados simbolicamente pelas festas.
No dia 10 do mês de nisã, quatro dias antes do sacrifício, cada família deveria separar um cordeiro para o sacrifício, que deveria ser realizado na tarde do dia 14 de nisã.
Com a construção do Templo, as famílias passaram a sacrificar os cordeiros em Jerusalém, e não mais nas suas próprias cidades (Deuteronômio 16:5-6). Isso explica o fato de haver uma multidão em Jerusalém, na ocasião em que Jesus entra em Jerusalém montado numa jumenta (Mateus 21:1-14).
Ao mesmo tempo, o sumo sacerdote (ou alguém por ele designado) também selecionava o cordeiro simbólico nacional, o qual era mantido no Templo, onde deveria permanecer à vista de todos, a fim de que fosse examinado pelos próximos 4 dias, até ser sacrificado na tarde do dia 14 de nisã (Êxodo 12:6).
Cumprindo toda a liturgia relacionada à festa da Páscoa, o Cordeiro de Deus (Jesus) chega a Jerusalém no dia 10 de nisã, passa pelo mesmo Portão Oriental por onde o cordeiro simbólico nacional era conduzido e se dirige ao Templo (Mateus 21:12).
Assim como o cordeiro simbólico, Jesus foi observado, examinado e depois julgado pelo povo, Sinédrio, Pilatos, Herodes e até mesmo gentios, como o centurião romano e os soldados que guardavam a Jesus ao pé da cruz (Mateus 27:54).
E assim como os cordeiros deveriam ser sacrificados à tarde, assim também ocorreu com o Senhor Jesus. Ele foi crucificado às 9 horas da manhã (que é a hora terceira – Marcos 15:25). Às 12 horas, o sol não deu a sua luz (Marcos 15:33) e às 15 horas, Ele entregou o espírito (Marcos 15:34), consumando assim o ato de sacrifício (João 19:30).
Sobre o episódio da entrada triunfal em Jerusalém, preparei um estudo para tratar de forma dedicada esse assunto. Para acessá-lo, clique aqui (abre em uma nova aba).
Outro elemento associado à Páscoa é o hissopo, uma erva aromática de pequeno porte, com talos finos e folhas pequenas, podendo ser alguma espécie de manjerona ou orégano selvagem (não há um consenso). Ele podia crescer em fendas de muros e rocha (1 Reis 4:33) e também era usado como tempero, medicinal e em rituais de purificação (Levítico 14:4).
No Egito, as famílias dos hebreus foram orientadas a utilizar o hissopo para passar o sangue do cordeiro sacrificado nos batentes da porta, a fim de que o destruidor (anjo da morte) não adentrasse para matar os primogênitos (Êxodo 12:22).
No Evangelho, o hissopo aparece na ocasião em que os soldados o encharcam em vinagre e o entregam a Jesus para Ele beber (João 19:29).
Em relação ao vinagre, embora ele não esteja diretamente associado à Páscoa, ele é mencionado expressamente no Evangelho porque se trata do cumprimento de uma antiga profecia messiânica de Davi (Salmos 69:21).
O vinagre oferecido a Jesus era o vinho azedo que os soldados romanos usavam para matar a sede em campanha. Oferecê-lo não foi um ato de compaixão, mas de zombaria (Salmos 22:6).
2. Pães Asmos (Matzot) – 15 a 21 de nisã
“E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos. No primeiro dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; Mas sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; ao sétimo dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.” Levítico 23:6-8
Significado para:
O pão asmo ou ázimo, feito apenas com farinha (trigo ou outros cereais moídos) e água, além de ser um símbolo para a pressa da fuga do Egito, é também um símbolo de pureza, por não utilizar o fermento em sua composição, um símbolo de impureza no contexto religioso.
O fermento é um agente culinário capaz de fazer a massa inchar, produzindo uma transformação rápida. No contexto antigo, o fermento vinha de uma massa velha fermentada (com microrganismos), simbolizando algo “velho” que contaminava o “novo”.
Lógica semelhante ocorreu quando Jesus utilizou o exemplo do vinho e dos odres, ao dizer que ninguém deveria colocar vinho novo em odres velhos, mas em odres novos (Lc 5:37-38), mais uma vez ressaltando a necessidade de o “novo” não se contaminar com o “velho”. Isso significa que o novo estilo de vida que Deus nos deu não deve ser contaminado pelo antigo.
Conhecendo a fundo o assunto, o apóstolo Paulo escreveu:
“Purificai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.” 1 Coríntios 5:7,8
A festa é um lembrete para a igreja, no sentido de que devemos nos afastar do fermento do velho homem, isto é, das antigas práticas pecaminosas de quando vivíamos separados de Deus, por não conhecermos o Senhor e Cristo, Jesus.
3. Primícias (Bikkurim) – no domingo após a Páscoa
“O Senhor Deus mandou Moisés dizer ao povo de Israel o seguinte: — Quando vocês entrarem na terra que eu lhes estou dando e fizerem a primeira colheita de trigo, levem ao sacerdote um feixe do que colherem. E ele moverá o molho perante o Senhor, para que sejais aceitos; no dia seguinte ao sábado o sacerdote o moverá. ” Levítico 23:9,11
Significado para:
Não foi por acaso que Deus mandou o povo celebrar a festa das Primícias no primeiro domingo após a Páscoa. Sem saber, os israelenses celebravam mais do que a primeira parte da colheita, mas também a própria ressurreição do Senhor Jesus.
“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.” 1 Coríntios 15:20
O ato de “mover o molho perante o Senhor” tinha um propósito, pois no hebraico, a palavra נְטִיָּה (netiyyah – movimento/agitar), transmite a ideia de elevação e oferta ativa, enquanto apenas “mostrar” seria um ato passivo e sem envolvimento.
Também é um ato profético que aponta para Cristo como primícias, o primeiro grão que se “movimenta” do mundo para Deus e da morte para a vida. Jesus refere-se a si mesmo como o grão de trigo que caiu no solo (movimentou-se), morreu e deu muito fruto (João 12:24).
Além disso, a solenidade também indica a necessidade de oferecermos a Deus as nossas próprias primícias, algo que só acontece quando o Reino de Deus é prioridade em nossas vidas.
Nesse sentido, quanto do nosso tempo tem sido investido nas coisas de Deus? Quanto de nossos recursos estão abençoando outras vidas que realmente precisam de ajuda? O que temos oferecido a Deus realmente são as primícias dos frutos de nossa vida?
Deus estabeleceu a festa das Primícias porque Ele realmente queria que nós colocássemos em prática o importante princípio de amá-lo antes de tudo, pois todo o restante depende dEle (Mateus 22:37-40).
4. Pentecostes (Shavuot) – 50 dias depois das primícias
“Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao Senhor.” Levítico 23:15,16
Significado para:
A festa de Shavuot parece, à primeira vista, apenas uma celebração pela colheita agrícola, porém ela foi o período designado por Deus para o derramamento do Espírito Santo.
Nesse sentido, poderíamos nos perguntar por que o derramamento do Espírito Santo não ocorreu durante a festa dos Pães Asmos, a qual está mais diretamente associada ao período de santificação.
Se não fosse o registro em Atos 2:1-4, que fala sobre o derramamento do Espírito de Deus durante a festa de Pentecostes (Shavuot), dificilmente o verdadeiro significado dela poderia ser compreendido.
O texto relacionado à festa de Shavuot está no livro de Levítico, dos versículos 15 a 22. Observando-os, e considerando o período em que ela é realizada, é possível identificar o final da colheita do trigo como o motivo da celebração de Shavuot.
Sobre o porquê de Israel celebrar a entrega da Lei no Sinai, a associação é feita pelo fato de ela ter ocorrido também durante a celebração da festa de Shavuot, conforme cálculo baseado na data mencionada em Êxodo 19:1.
Com isso, temos durante o tempo designado de Shavuot a celebração de duas colheitas, a física, relacionada aos grãos, e a espiritual, relacionada à colheita da Lei.
As duas colheitas estão ligadas ao derramamento do Espírito Santo, que grava a Lei em nossos corações (João 14:26; 2 Coríntios 3:3), numa referência à colheita espiritual, e também nos transforma em pescadores de homens (Mateus 4:19), numa clara alusão à colheita física.
Não é necessário estender aqui a questão da atuação do Espírito de Deus no dia de Pentecostes, pois o assunto já foi tratado em estudo específico. Para acessá-lo, clique aqui (abre em uma nova aba).
5. Trombetas (Yom Teruá ou Dia do Toque) – 1º dia do 7º mês (Tishrei)
“Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação. Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada ao Senhor.” Levítico 23:24,25
Significado para:
O Yom Teruá acontece no dia 1º de tishrei, que marca o início do ano novo civil e do período conhecido como “grandes festas” ou “dias de temor”. Relembrando, o ano religioso começa em 1º de nisã (o mesmo mês da Páscoa).
A festa das Trombetas é a única solenidade marcada para ocorrer no primeiro dia do mês. Esse fato revela uma particularidade desta celebração: a sua imprevisibilidade!
Para compreender isso, é preciso entender o funcionamento do calendário de Israel, que é do tipo lunar/solar, de 354 dias ao ano, com meses de 29 ou 30 dias.
No calendário lunar/solar, um novo mês só começa após a observação da primeira lua nova, a qual é chamada de Rosh Chodesh (Cabeça do Mês), a qual é reconhecida na tradição judaica como uma celebração sagrada e frequentemente considerada uma “festa menor” (Isaías 66:23).
Na prática, duas testemunhas eram responsáveis pela observação do céu até identificar a aparição da lua nova, as quais deveriam reportar o achado ao sinédrio, que decretava o início do mês e da celebração da festa das Trombetas, com o toque do shofar (trombeta) anunciando a santa convocação.
Fogueiras posicionadas em locais estratégicos, como topos de montes, eram acendidas numa sequência que permitia levar mais rapidamente a notícia da santa convocação para as comunidades mais afastadas, a fim de convidá-las para a solenidade.
Mais tarde esse fogo foi referido pelo Senhor Jesus, quando falou das lâmpadas das virgens convidadas para a festa de casamento (Mateus 25), que não serviam apenas para identificá-las na escuridão, mas também mostrar para a comunidade circunvizinha que um evento de casamento iria ocorrer, como um convite à celebração.
A parábola das dez virgens também aborda a questão da imprevisibilidade e da necessidade de estarmos em alerta, embora nesse registro, o sono alcançará até mesmo os cristãos sinceros.
Essa imprevisibilidade marcava o tom de incerteza relacionado ao início da festa do Yom Teruá (Dia das Trombetas) e a necessidade de vigilância, pois não era possível saber antecipadamente em que momento o shofar seria tocado para anunciar a “santa convocação” (Levítico 23:24).
Em seu sentido profético, a festa das Trombetas antevê a gloriosa manifestação da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, marcada por estrondos celestiais e sinais majestosos (1 Tessalonicenses 4:16), que refletem o som solene e impactante desse instrumento.
Por fim, a festa de Yom Teruá, na minha opinião, também pode significar a necessidade de a igreja realizar a obra missionária, uma vez que o toque do instrumento pode carregar um sentido de alerta, convocação e também proclamação, conforme vemos em Ezequiel 33:6-7, Isaías 58:1 e Joel 2:1, Oséias 8:1 e 1 Coríntios 14:8, dentre outros.
6. Dia da Expiação (Yom Kippur) – 10º dia do 7º mês
“O Senhor Deus disse a Moisés: — O dia dez do sétimo mês é o dia em que os pecados do povo são perdoados. Nesse dia ninguém deverá comer nada, e todos deverão apresentar a Deus, o Senhor, ofertas de alimento. Ninguém trabalhará nesse dia, pois é o dia em que é apresentado ao Senhor, o Deus de vocês, o sacrifício para conseguir o perdão dos pecados do povo.” Levítico 23:26-28
Significado para:
O Yom Kippur é considerado o dia para a purificação nacional. No Tabernáculo e depois no Templo, o sumo sacerdote entrava uma vez por ano no Santo dos Santos para oferecer sacrifícios pelo povo (Levítico 16 e Hebreus 9:7). É um dia de jejum e de dedicação total ao Senhor Deus.
Logo após a morte do Senhor Jesus, que é o Cordeiro de Deus, o véu se rasgou do alto para baixo (Marcos 15:38), indicando que o antigo ritual realizado pelo sumo sacerdote não faria mais sentido a partir dali.
No entanto, o véu rasgado no Templo não teria sido o único sinal observado. O Talmude (Yoma 39b) relata que fenômenos extraordinários começaram a ocorrer no Templo exatamente quarenta anos antes da sua destruição, coincidindo com o período da morte e ressurreição de Cristo. Observe:
“Ensinaram nossos rabinos: Quarenta anos antes da destruição do Templo, a sorte [para o bode expiatório] não vinha mais na mão direita [do sumo sacerdote], e a fita vermelha não ficava mais branca, e a lâmpada ocidental [do candelabro] não permanecia mais acesa. E as portas do Santuário se abriam por si mesmas, até que Raban Yohanan ben Zakkai as repreendeu. Ele disse: ‘Ó Santuário, Santuário! Por que te alarmas a ti mesmo? Eu sei a teu respeito que teu fim é estar destinado à destruição. Pois já profetizou sobre ti Zacarias, filho de Ido: “Abre, ó Líbano, as tuas portas, e o fogo devorará os teus cedros”’ (Zacarias 11:1).”
Caso queira ver a íntegra do texto, poderá visualizá-lo no site da ONG Sefaria (abre em uma nova aba).
Esses fenômenos eram altamente significativos, pois:
Esse registro rabínico tem tudo para ser verdadeiro, pois confirma, ainda que involuntariamente, a nova realidade espiritual a partir da morte e ressurreição de Cristo, na qual o Templo terreno deixou de ser o centro da expiação e da presença divina para dar lugar ao próprio Senhor Jesus, que é:
Apesar disso, o historiador Flávio Josefo (século I) registra que os sacrifícios e serviços do Templo continuaram normalmente até a destruição em 70 d.C. (cf. Guerras Judaicas VI.5.3). Isso ocorreu porque os sacerdotes que não criam em Jesus interpretaram tais sinais como presságios misteriosos ou maus presságios, mas não como o fim do sistema sacrificial.
Mesmo com a destruição do Templo e expulsão dos judeus, os dispersos nunca deixaram de celebrar o dia da Expiação e isso até os dias atuais, quando todo o país entra em pausa voluntária: aeroportos fecham, transportes públicos e veículos particulares quase não circulam, estabelecimentos comerciais fecham e até emissoras de rádio e TV suspendem suas transmissões.
O Dia da Expiação também está ligado profeticamente ao futuro arrependimento de Israel, quando olharão para Aquele a quem traspassaram (Zc 12:10), reconhecendo em Jesus o Messias. Nesse dia, se cumprirá a promessa de que “todo o Israel será salvo” (Rm 11:26), selando o perdão e a restauração nacional.
7. Tabernáculos (Sucot) – 15 a 21 do 7º mês
“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo será a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias. Ao primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; dia de proibição é, nenhum trabalho servil fareis.” Levítico 23:33-36
O Senhor Deus, em sua sabedoria, ordenou cada festa com precisão, conduzindo o Seu povo por um caminho de redenção. Não por acaso, Sucot foi colocada como a última, pois ela é o ápice, a colheita final e também o repouso das obras (Levítico 23:36).
Em Pesach, o Cordeiro é imolado; em Shavuot, o Espírito é derramado; em Yom Kippur, vemos o perdão selado. Porém em Sucot, contemplamos o resultado de tudo: Deus habitando com os homens, a alegria plena e a comunhão com o Criador, quando cada lágrima será enxugada e a presença do Altíssimo será o tabernáculo eterno entre nós (Apocalipse 21:3-4).
Para celebrar a festa de Sucot, e relembrar o período de peregrinação no deserto, os naturais em Israel (Levítico 23:42) deveriam sair de suas casas e habitar em tendas artesanais, feitas de materiais como ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras (Levítico 23:40).
Para cumprir a lei, a construção deveria ser realizada um dia antes, uma vez que no primeiro dia da festa nenhuma obra poderia ser feita (Levítico 23:35). Isso indica a necessidade de o povo se preparar com antecedência para poder habitar na presença de Deus.
Essas tendas temporárias eram rústicas e seus tetos cobertos por folhagens, ramos e palha permitiam que parte dos raios solares, o brilho das estrelas do céu noturno e a chuva, penetrassem o interior delas. Isso era intencional, pois demonstrava a fragilidade do homem e seu constante estado de dependência e necessidade de conexão com Deus.
Essas características tornavam a sucá (tenda) uma construção provisória e frágil, refletindo a própria condição da vida humana neste mundo. No deserto, enquanto o Tabernáculo permanecia no centro do arraial como sinal visível da presença de Deus, as sucot (tendas), armadas em volta dele, simbolizavam a presença do povo, indicando que Deus habitava no meio dos homens.
Além disso, a exemplo do que ocorre com a festa das Primícias e Pentecostes, a festa de Sucot também celebrava a colheita dos frutos da terra (Levítico 23:39). Por isso, o povo também se alegrava pelo cuidado do Deus Provedor.
Abrindo um parêntese, sobre a expressão “Deus Provedor”, ela provém do texto em hebraico יְהוָה יִרְאֶה, que significa “Adonai Yir’eh”. A expressão “Jeová Girê” é incorreta em sua totalidade, embora seja bastante utilizada no Brasil, mas isso é assunto para outro estudo.
Retornando ao tema, segundo Deuteronômio 16:16, a festa dos Tabernáculos deveria ser celebrada em Jerusalém. Isso significa que houve momentos no período da história de Israel que ela não pode ser celebrada pelo povo, como em razão do exílio na Babilônia, por exemplo.
Após o período na Babilônia, o povo voltou a comemorar essa moed (solenidade) e isso foi causa de grande alegria, conforme registro em Neemias 8:13-18.
Durante os anos do ministério do Senhor Jesus Cristo, a festa de Sucot foi celebrada regularmente, conforme determinava a lei. Ela é mencionada de forma explícita apenas uma vez em João 7:2. Apesar disso, o texto revela uma grande conexão entre a solenidade e o Senhor Jesus.
Depois de partir da Galileia para Jerusalém, já no meio da festa, Jesus se dirige ao Templo e começa a ensinar (João 7:14) a uma multidão que já estava dividida por causa dele (João 7:12).
Quando Jesus começa a falar, apesar de correto em tudo o que disse, logo o clima de celebração se converte em momentos de tensão, com alguns querendo prendê-lo (João 7:30, 32 e 44). Apesar da resistência e dureza dos ouvintes, muitos creem no Mestre (João 7:31).
Mas é no último dia, o grande dia da festa, que Jesus faz um grande convite para a multidão presente, dizendo “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (João 7:37-38). O versículo seguinte esclarece o sentido dessas palavras, relacionando-as ao Espírito Santo (João 7:39).
Ao mencionar “como diz a Escritura”, o Senhor não se refere a alguma passagem em específico, porque não há um paralelo idêntico, porém a uma série de textos que, combinados, embasam a fala dEle (Êxodo 17:6; Isaías 12:3; 44:3; Ezequiel 47).
Esse convite de Jesus, que foi propositalmente lançado no último dia da solenidade, conecta-se com a festa dos Tabernáculos e com os eventos cerimoniais que estavam ocorrendo, pois estava em curso a celebração da Shmini Atzeret (“Alegria da Casa da Tiragem da Água”), a qual marca o término de um ciclo e o início de outro.
Durante a cerimônia, o sumo sacerdote descia ao Siloé (Enviado), coletava água do tanque e a trazia em vasos de ouro para o Templo. Essa água era derramada sobre o altar do sacrifício, acompanhada de cantos e danças, celebrando a suficiência da chuva e das águas para a colheita.
O próprio Tanque de Siloé identificava a presença do Enviado de Deus no meio do povo, o Senhor Jesus Cristo, de quem nós coletamos a verdadeira água viva.
Em relação ao ritual envolvendo o uso da água, este era significativo para Israel e simbolizava vida, bênção e provisão de Deus, pois ela era essencial no clima árido de Israel. A cerimônia era realizada em clima de oração e súplica pela chuva no próximo ano agrícola.
É nesse cenário em torno do Ritual da água (Shmini Atzeret) que Jesus lança o convite, oferecendo a verdadeira água viva, em alusão ao Espírito Santo, pois o Senhor é o cumprimento vivo da festa.
Enquanto os sacerdotes derramavam água no altar físico, Jesus oferecia a água espiritual: o Espírito Santo que sacia a sede da alma.
O convite de Jesus dividiu a multidão: alguns afirmavam ser ele o Profeta (João 7:40), outros o Cristo (João 7:41), mas muitos duvidaram e até o rejeitaram (João 7:41, 44).
No dia seguinte, os homens que O rejeitaram e recusaram a verdadeira água viva trouxeram uma mulher apanhada em adultério e a puseram diante de Jesus para o experimentar. Em resposta, o Senhor apenas se inclinou e começou a escrever no chão. Desconcertados pela atitude de Jesus, eles insistiram, até que Jesus respondeu:
“Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” João 8:7.
Assim, sem desrespeitar a Lei, Jesus conseguiu defender brilhantemente a mulher e logo voltou a escrever no chão.
Esse ato de Jesus, que é único no Evangelho, somado à rejeição das águas vivas oferecidas um dia antes marcaram o cumprimento da antiga profecia de Jeremias, o que nos ajuda a compreender porque os acusadores saíam um após o outro, à medida que Jesus escrevia:
“Ó Senhor, esperança de Israel, todos aqueles que te deixam serão envergonhados; os que se apartam de mim serão escritos sobre a terra; porque abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas.” Jeremias 17:13
Avançando no tempo, com a destruição do Templo pelos romanos em 70 d.C., e a consequente dispersão dos judeus para outras partes, há registros de que a festa de Sucot continuou a ser celebrada de forma adaptada pelas comunidades dispersas, mas sem incluir o sacrifício dos animais.
Esses registros podem ser encontrados no Talmude, na literatura rabínica (Mishná, Tosefta, Midrashim), nos escritos de Flávio Josefo (historiador do século I d.C.) e Filo de Alexandria (século I d.C.), bem como na literatura patrística (autores cristãos dos primeiros séculos), como Jerônimo (347–420 d.C.) e Epifânio (315–403 d.C.).
Após a declaração de independência de Israel em 14 de maio de 1948 (5 de Iyar de 5708 no calendário hebraico), a primeira celebração oficial da festa de Sucot no território de Israel ocorreu em outubro de 1948, no mesmo ano da refundação do Estado.
Desde então, a festa vem sendo celebrada todos os anos, sem interrupções. Atualmente em Israel, as famílias constroem sucot (cabanas) em quintais, telhados ou espaços públicos. Há cerimônias religiosas em sinagogas e praças, leituras de Salmos e orações por chuva (Tefilat Geshem) e claro, muita comida.
Agora indo para a reta final, responderei a duas questões importantes sobre o tema das festas bíblicas.
QUAIS FESTAS SERÃO CELEBRADAS DURANTE O REINADO DE JESUS?
A Bíblia indica claramente as três festas que serão celebradas durante o período do milênio, sendo elas a de Sucot (Tabernáculos), as festas da Lua Nova e o shabat.
Começando pela festa de Sucot (Cabanas), a última da lista de Levítico 23, ela será celebrada anualmente em Jerusalém pelos sobreviventes da grande tribulação de todas as nações, conforme texto em Zacarias 14:16.
O profeta também acrescentou que se alguma “família das nações” não participar da celebração, a tal nação não receberá a chuva (Zacarias 14:17) ou será punida com algum tipo de praga. (Zacarias 14:18).
Não é necessário imaginar que cada habitante da Terra tenha que se deslocar fisicamente até Jerusalém, pois a cidade não comportaria a população do mundo inteiro. O texto fala das “famílias das nações” (Zacarias 14:16, 18), possivelmente para indicar delegações oficiais ou representantes de cada povo, em nome de suas nações.
As outras duas festas foram mencionadas juntas pelo profeta Isaías:
“E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor.” Isaías 66:23
Embora eu já tenha mencionado algo a respeito da Lua Nova, quando tratei da festa das Trombetas, convém acrescentar algo mais sobre o assunto.
Essa festa é considerada um marco de tempo, pois servia para iniciar oficialmente cada mês. Havia culto solene no Templo, com sacrifícios específicos, músicas e toques de trombeta em clima de alegria. Embora não se tratasse de um shabat típico de descanso, algumas atividades eram suspensas (Amós 8:5).
Na prática, as festas da Lua Nova e do Shabat darão às pessoas de todo o mundo oportunidades adicionais de celebrar juntamente com o Senhor Jesus em Jerusalém, algo que não seria possível apenas com a celebração anual da festa dos Tabernáculos.
Em relação ao modo de celebrar essas festas, com base em Isaías 2:3, pode-se presumir que o Senhor Jesus dará instruções renovadas, visando ajustá-las ao novo cenário de culto, marcado pela Sua presença física em Jerusalém.
Entre essas mudanças em Israel, estará a exclusão dos sacrifícios de animais, para nós cristãos sabidamente desnecessários devido à morte expiatória do Cordeiro de Deus, cuja eficácia é eterna.
Por último, a Bíblia nada menciona sobre a celebração ritual dessas três festas após o término do período do reinado milenar de Cristo, mas fala de uma criação renovada, na qual aparecerá também a santa Jerusalém, a verdadeira noiva e futura esposa do Cordeiro, que funcionará como um tabernáculo de Deus para os homens (Apocalipse 21).
A afirmativa de que a igreja de Cristo é a “noiva do Senhor” é totalmente inadequada. Caso deseje mais informações sobre esse assunto, acesse o estudo “Quem é a noiva de Cristo?“.
Com a eliminação do último inimigo, que é a morte (1 Coríntios 15:26), a qual ainda poderá vitimar pessoas mesmo durante o reinado milenar de Cristo (Isaías 66:20), bem como com o fim de todo tipo de sofrimento (Apocalipse 21:4), a atmosfera na santa Jerusalém será de glória, contentamento, alegria e paz, num eterno e agradável clima de festa.
Na sequência, responderei à última pergunta envolvendo o tema das festas bíblicas.
A IGREJA DEVE CELEBRAR AS FESTAS NESSE MOMENTO?
Indo direto ao assunto, o apóstolo Paulo respondeu a questão dizendo que a celebração ritual das festas apontava para as coisas futuras.
“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” Colossenses 2:14-17
Isso significa que a igreja não deve celebrar ritualmente as festas bíblicas, como faziam os hebreus na antiguidade. Porém eu posso garantir que os crentes estão celebrando as festas bíblicas em uma nova dimensão todos os dias, mesmo sem perceber.
Explicando melhor, antes do encontro com Deus, o homem vive em um estado de morte espiritual, tristeza da alma. Nessa condição, não há o que comemorar. Após o encontro com o Senhor Jesus, o espírito do homem volta a viver, quando então cada alma passa a celebrar as festas de Deus em sua rotina cristã diariamente, quando:
Concluindo, as festas bíblicas apontam claramente para o Senhor Jesus, o cumprimento vivo delas, e revelam os mistérios de Deus acerca dos processos e fenômenos relacionados à obra redentora do Cordeiro de Deus, o qual nos transporta da morte para a vida, escravidão para a liberdade e da tristeza para a celebração!
Que Deus o abençoe ricamente!
Celebremos diariamente com o Senhor Jesus, o autor e consumador de nossa fé!
A Deus toda honra e glória.
Maranata!
]]>A primeira curiosidade envolvendo o tema é que o dilúvio não é mencionado apenas na Bíblia Sagrada, pois diversas civilizações antigas preservaram tradições sobre uma inundação catastrófica.
Dentre elas, destacam-se as epopeias de Gilgamesh e de Atra-Ḫasis, o Poema de Ziusudra, e uma série de escritos das tradições e mitologias grega, hindu, chinesa, nórdica, africana, ameríndia, dentre outras, indicando que as memórias acerca do grande evento foram compartilhadas inicialmente pelos filhos de Noé e depois pelas gerações seguintes que repovoaram o planeta, embora contadas de diferentes formas à medida que o tempo passava.
Mas daqui para frente, ficaremos apenas com o relato bíblico, o qual é preciso a ponto de indicar o motivo do dilúvio, datas e duração do evento dramático que encerrou uma antiga era de corrupção generalizada, inclusive em nível genético, e que pôs um fim na existência de criaturas mitológicas que não deveriam andar sobre a face da Terra juntamente com os humanos.

Segundo consta nas Escrituras Sagradas em Gênesis 6:4-5, havia gigantes na terra e seres famosos dotados de habilidades especiais, os chamados valentes da antiguidade. O texto ainda registra que a corrupção havia alcançado níveis insuportáveis e que a imaginação dos pensamentos dos homens era continuamente má.
Embora alguns não compreendam o motivo de Deus ter recorrido a uma solução tão radical, a verdade é que sem aquela intervenção, o inferno seria aqui mesmo na face da Terra.
Com o dilúvio, a humanidade recebeu uma nova oportunidade, porém assim como ocorreu no passado, a corrupção e o poder de destruição estão aumentando a um nível em que nós precisaremos de uma nova intervenção de Deus, sem a qual nenhuma carne escapará (Mateus 24:22).
Sobre o homem chamado Noé (em hebraico: נֹחַ – Nôaḥ), esse nome vem da raiz hebraica נוח (nuach), que significa “descansar, repousar, trazer alívio, consolo”. Esse nome não foi escolhido por acaso por Lameque, que parecia saber o destino que estava reservado ao seu filho:
“E viveu Lameque cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho, A quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou.” Gênesis 5:28,29
Com esse exemplo, você pode perceber a importância de abençoar seus filhos com palavras positivas, em vez de amaldiçoá-los com palavras negativas.
A este homem chamado Noé, Deus deu a ordem de construção da arca, inclusive apresentando alguns requisitos, conforme Gênesis 6:13-16. Segundo a tradição judaico-cristã comum, Noé teria levado o prazo de 120 anos para concluir a gigantesca obra, conforme Gênesis 6:3.
Embora uma parcela do público cristão interprete que o prazo de 120 anos seja um limite para os anos de vida de um homem, o entendimento majoritário, inclusive para os judeus, é o de que esse foi o prazo dado aos homens corrompidos, a fim de que se arrependessem de suas iniquidades, ao mesmo tempo que Noé construía a arca e pregava aos homens (2 Pedro 2:5).
Corroborando o entendimento majoritário, temos vários patriarcas e personagens bíblicos mortos muito além dos 120 anos, sendo o último deles Jacó, morto aos 147 anos (Gênesis 47:28) aproximadamente 500 anos depois do dilúvio ou 620 anos após a imposição do limite referido.
A redução da expectativa de vida humana ao longo dos anos se deve mais à mistura/degeneração do DNA humano a cada geração e de forma progressiva, do que à imposição de um limite para os anos de vida, algo que deveria ter acontecido de forma imediata, o que não aconteceu.
Em relação à construção da arca, consta em Gênesis 6:15 que ela deveria ter o comprimento de trezentos côvados, largura de cinquenta côvados e altura de trinta côvados.
Se considerarmos que cada côvado possui 45 centímetros (0,45 m), ela tinha o comprimento de 135 metros, largura de 22,5 e altura de 13,5 metros, o equivalente a um edifício de 5 andares.
Segundo Gênesis 7:7, concluída a magnífica obra, Noé entrou na arca, e com ele seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos. Além deles, entraram também os animais que Deus conduziu até a embarcação.
Depois disso, e observe bem a data a seguir, no ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram (Gênesis 7:11).
O texto indica claramente que o dilúvio foi causado não apenas pelas precipitações, mas pelo rompimento de “todas as fontes do grande abismo”, com a água jorrando de baixo a altitudes elevadíssimas e provocando volumes de precipitação extremamente intensos.

Agora, tomarei emprestada a explicação do engenheiro e criacionista Dr. Walt Brown, que formulou a Teoria das Hidroplacas, para tentar explicar o Dilúvio de Gênesis usando um modelo geológico-catastrofista.
Segundo a proposta de Brown, antes do dilúvio, o planeta possuía uma imensa quantidade de água subterrânea armazenada sob grande pressão, localizada em câmaras que se estendiam por todo o globo, a cerca de 15 km abaixo da crosta. Esse “oceano subterrâneo” continha mais água do que todos os mares atuais juntos, aguardando apenas o momento em que as condições atingissem um ponto crítico.
O estopim teria ocorrido quando a pressão se tornou insustentável, provocando a ruptura da crosta terrestre ao longo de uma fenda de aproximadamente 46.000 milhas ou pouco mais de 74.000 km, que circundou o planeta como uma rachadura no ovo. Em muitos locais, a água perfurou o solo e lançou colunas gigantescas de água com muita força, alcançando altitudes superiores e retornando em forma de chuvas torrenciais, exatamente como descreve o texto bíblico: “as fontes do grande abismo se romperam e as janelas dos céus se abriram”.
Esse processo explica tanto a origem das chuvas contínuas por 40 dias como também a elevação repentina dos oceanos, que cobriram toda a superfície terrestre. Ao mesmo tempo, a erosão causada pela força das águas desprendeu enormes blocos de solo e rochas, que se depositaram em camadas sedimentares ao redor do mundo, aprisionando fósseis em questão de dias ou semanas, e não em milhões de anos como sustenta a geologia uniformitarista.
Com o avanço do cataclismo, as placas que estavam acima das câmaras de água subterrânea começaram a deslizar, gerando o movimento das massas continentais. Segundo Brown, foi nesse período que surgiram os continentes atuais, separados por forças colossais e ainda em movimento até hoje. Esse modelo fornece uma explicação coerente para fenômenos geológicos como cordilheiras, fossas oceânicas profundas, vulcanismo, terremotos, o Grand Canyon, e até mesmo a glaciação posterior ao dilúvio.
Outro aspecto notável do cataclismo, segundo os defensores da teoria das hidroplacas, foi o rápido resfriamento em regiões polares. O deslocamento das placas ejetou para a atmosfera imensas colunas de água super-pressurizada, que ao serem lançadas para altitudes elevadíssimas perderam calor de forma abrupta, transformando-se em cristais de gelo e retornando à Terra em forma de nevascas intensas. Esse processo teria dado início às grandes camadas de gelo que cobrem os polos até hoje.
Esse resfriamento súbito também explica a descoberta de carcaças de mamutes e outros animais de grande porte encontrados nas regiões árticas em perfeito estado de conservação, alguns ainda com alimento não digerido em seus estômagos.
Tais evidências apontam para uma morte rápida e um congelamento instantâneo, algo impossível de ser explicado por processos lentos de glaciação, mas totalmente plausível dentro de um cenário de dilúvio global e catástrofe geológica.
Assim, o que a ciência moderna enxerga como “era do gelo” pode ser entendido biblicamente como um dos desdobramentos diretos do dilúvio, consequência natural do colapso das fontes do abismo e da violenta alteração climática que se seguiu.
Os sinais daquele antigo evento estão espalhados por toda a parte e servem como prova de que o dilúvio relatado na Bíblia, e em muitas tradições e outros escritos antigos, realmente ocorreu, embora a maioria das pessoas não saiba ou não conheça os verdadeiros motivos de eles existirem, a exemplo das crateras circulares formadas pela imensa pressão da liberação das águas das fontes do abismo.

Portanto, o dilúvio não foi apenas um evento natural, mas um juízo divino que envolveu tanto a ação direta de Deus quanto mecanismos físicos perfeitamente explicáveis dentro de uma perspectiva criacionista.
Mais do que isso, o evento do dilúvio nos ajuda a compreender melhor o juízo por causa do pecado e o plano de salvação, apontando diretamente para a obra redentora do Senhor Jesus Cristo e os seus múltiplos significados.
Por exemplo, ao mesmo tempo em que o dilúvio destruiu a corrupção da antiga humanidade, ele trouxe também um recomeço para a criação, livre dos seres mitológicos e da antiga genética corrompida pela semente dos caídos.
De igual modo, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo trará juízo para muitos, mas também dará à humanidade uma nova oportunidade de florescer em um tempo de verdadeira paz.
Assim como as águas cobriram toda a terra trazendo morte para dar lugar a uma nova vida, da mesma forma o batismo nas águas representa o sepultamento do velho homem e o início de uma nova caminhada.
Do mesmo modo que a arca se tornou o único refúgio para a vida e a salvação, também o Senhor Jesus Cristo é o nosso abrigo seguro: o único Caminho para a salvação e que nos livrará da condenação no juízo final.
E por último, assim como uma nova humanidade surgiu a partir de Noé, também na ocasião da ressurreição dos mortos em Cristo (Apocalipse 20:4-6), que coincide com o arrebatamento da igreja, nascerá uma nova criação, desta vez incorruptível e eterna (1 Coríntios 15:52-54).
Exatos cinco meses depois do rompimento das fontes, a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês (Gênesis 8:4) sobre os montes de Ararate, os quais estão localizados na atual Turquia, na região oriental do país.


Quando datas são informadas de forma precisa nas Escrituras, ainda mais as relacionadas a grandes eventos, é sempre recomendado investigar com mais atenção essa informação, pois nada acontece por acaso.
O fato de a arca ter repousado no dia dezessete do sétimo mês — que, após a ordenança de Êxodo 12:2, passou a ser reconhecido como o primeiro mês, chamado Abibe/Aviv (posteriormente Nisan) — não é uma coincidência, mas revela o cuidado divino com cada detalhe temporal das Escrituras.
Antes do Êxodo, o sétimo mês marcava uma contagem específica, simbolizando a perfeição e o período de repouso, já que Deus descansou no sétimo dia, conforme Gênesis 2:2.
Porém após o êxodo do povo judeu, o mês de nisã, que era o sétimo do ano, passou a ser considerado o primeiro mês do calendário litúrgico por ordem de Deus, que também estabeleceu a Páscoa como marco do início do ano religioso (Êxodo 12:2).
Desse modo, o dia dezessete do sétimo mês do dilúvio pode ser compreendido como uma antecipação simbólica de um descanso e recomeço, algo que se alinharia posteriormente com o calendário da redenção, pois o Senhor Jesus Cristo ressuscitou no mesmo dia em que a arca repousou nos montes de Ararate.
A ressurreição de Jesus Cristo, ocorrida no dia 17 de nisã, três dias após o dia 14 da Páscoa (Êxodo 12:18), já durante a Festa dos Pães Asmos, confirma a seguinte conclusão: assim como a arca trouxe salvação e um novo começo para Noé e sua família, a ressurreição trouxe a salvação e oportunidade de vida nova para todos os que crerem nisso.
O repouso da arca e a ressurreição no terceiro dia nos lembram que Deus opera com ordem e propósito, conectando eventos históricos e espirituais para revelar o caminho da salvação. Ambos os acontecimentos simbolizam a transição do juízo para a redenção, da destruição à nova vida, evidenciando que o tempo divino está intimamente ligado à manifestação de Sua obra redentora.
Concluindo, o dilúvio não foi apenas uma lembrança distante registrada em tradições antigas, mas um evento histórico global, confirmado tanto pelas Escrituras Sagradas quanto por evidências geológicas que ainda hoje estão diante de nós. A teoria das hidroplacas nos ajuda a visualizar como a Terra foi transformada de maneira rápida e catastrófica, demonstrando que o relato bíblico é confiável em cada detalhe.
Entretanto, mais importante que a explicação científica é o significado espiritual. Assim como Noé e sua família foram salvos pela arca em meio ao juízo das águas, também nós temos em Cristo o único refúgio diante do juízo que virá. O dilúvio aponta para a morte do velho mundo e para um recomeço; a ressurreição de Jesus aponta para a vitória sobre a morte e para a inauguração de uma nova criação, incorruptível e eterna.
Portanto, ao olharmos para o dilúvio, não vemos apenas destruição, mas também esperança. Do mesmo modo, ao olharmos para a cruz e para o túmulo vazio, contemplamos não apenas sofrimento, mas a promessa da vida eterna. O mesmo Deus que julgou o mundo antigo é o que oferece hoje salvação em Cristo Jesus, a verdadeira Arca, na qual todos os que entram encontram descanso, consolo e vida abundante.
A Deus honra e glória, em Jesus Cristo, o Senhor e Rei!
]]>“Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos. Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Capernaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Porém eu vos digo que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti.” (Mateus 11:16-24)
Por causa da prática do pecado e da falta de arrependimento, o juízo de Deus pode recair sobre pessoas, famílias, cidades, nações ou todo o mundo, como no dilúvio.
No Evangelho, esta seria a primeira vez que o Senhor Jesus emitiria juízo sobre cidades. O motivo da indignação do Senhor Jesus é claro e está no próprio texto, sendo ele a falta de arrependimento e incredulidade dos habitantes daquelas cidades, apesar dos muitos sinais ali operados.
De todos os 37 milagres registrados no Evangelho, mais de 60% deles ocorreu na região da Galileia. Porém ser testemunha de um milagre não é garantia de arrependimento, como podemos ver.
Mas por que Jesus investiu tanto na Galileia?
O primeiro e mais importante motivo é profético:
“Mas a aflição dos que estiverem sofrendo vai acabar. No passado, Deus humilhou a terra das tribos de Zebulom e de Naftali, mas no futuro ele tornará famosa essa região, que vai desde o mar Mediterrâneo até a terra que fica no lado leste do rio Jordão, isto é, a Galileia dos pagãos. O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas.” Isaías 9:1,2
De fato, depois que Jesus retornou do Egito ainda criança, foi para a Galileia e habitou inicialmente em Nazaré, que era a terra de sua mãe e José. De lá, mudou-se para Cafarnaum, de onde partia para as suas missões.
“E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali;” Mateus 4:13
Embora Jesus tenha nascido na região da Judeia em Belém, que é Beit Lehem (Casa do Pão), Ele passou a infância e viveu em Nazaré até se mudar para Cafarnaum, quando já tinha aproximadamente 30 anos (Lucas 3:23), depois de ter sido batizado por João Batista no rio Jordão, perto de Betabara/Betânia (João 1:28).
Apesar de ter passado tanto tempo em Nazaré (algo que lhe rendeu o título de Nazareno), os próprios habitantes desse lugar, os mesmos que o viram crescer, quase o lançaram de um despenhadeiro com o objetivo de matá-lo, tornando esse episódio um dos momentos mais críticos de seu ministério na Galileia, conforme consta em Lucas 4:16-30.
Como vimos, o primeiro motivo para Jesus ter habitado na Galileia foi profético (Isaías 9:1-2).
Contudo a Galileia também era atrativa pelo fato de ser uma região estratégica para o ministério do Senhor Jesus, por estar integrada a uma importante rota comercial da época e por permitir que Jesus atuasse com mais liberdade do que em Jerusalém.

A Via Maris, ou “Caminho do Mar”, era uma importante rota comercial que conectava o Egito à antiga Mesopotâmia. Por meio dela, a mensagem de Jesus e os relatos de seus milagres se espalharam rapidamente para diversas regiões, como Egito, Pérsia, Síria, Anatólia e Mesopotâmia, ajudando a preparar o caminho para a futura evangelização realizada pelos apóstolos e discípulos, especialmente após a perseguição à igreja em Jerusalém registrada em Atos 8.
No mapa, você também pode ver como Corazim, Betsaida e Cafarnaum estavam localizadas ao norte do Mar da Galileia, o maior depósito de água doce de Israel, com 21 km de comprimento e 11 km de largura, onde Jesus acalmou a tempestade e caminhou sobre as águas.
Foi nesse contexto geográfico e político que o Senhor Jesus iniciou o seu ministério. Apesar de tudo o que Ele fez nessa região da Galileia, o juízo foi mais duro sobre a cidade em que Ele habitou, pois foi somente a Cafarnaum que disse “serás abatida até aos infernos”.
Com isso, podemos chegar a algumas conclusões:
1 – A cobrança é maior sobre os que recebem mais.
“— O empregado que sabe qual é a vontade do patrão, mas não se prepara e não faz o que ele quer, será castigado com muitas chicotadas. Mas o empregado que não sabe o que o patrão quer e faz alguma coisa que merece castigo, esse empregado será castigado com poucas chicotadas. Assim será pedido muito de quem recebe muito; e, daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido.” Lucas 12:47,48
O patrão, no caso o Senhor Jesus Cristo, passou muito tempo naquelas cidades, ensinou e provou que tinha autoridade, por meio dos vários sinais que operou, mas os empregados (o povo), não o obedeceram.
Trazendo para a nossa realidade, na qual estamos recebendo mais da graça e dons de Deus, do que aqueles que estão fora do corpo de Cristo, igualmente a cobrança será maior sobre nós do que sobre os de fora.
2 – O exemplo da Galileia nos mostra que a presença física de Jesus e milagres não garantem fé salvação.
Embora Jesus tenha estado presente de forma física nessas cidades e operado muitos milagres, muitas pessoas permaneceram incrédulas e em estado de condenação.
Aos dez leprosos purificados, apenas a um estrangeiro Jesus disse “a tua fé te salvou”. Portanto a fé não vem pelo testemunhar milagres, mas do ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17).
3 – O fato de Jesus ter habitado em Cafarnaum não poupou a cidade da tribulação que a atingiu.
Se Cafarnaum não foi poupada da tribulação e juízo, por que o Brasil seria? Aqui as pessoas zombam e desrespeitam os símbolos da fé cristã nos carnavais e até nas passeatas de certos grupos que lutam por respeito e reconhecimento, algo que eles mesmos não oferecem.
No texto base, consta que Corazim e Betsaida (Casa de pescadores), a cidade natal de Pedro, André e Filipe (João 1:44), receberiam juízo mais duro do que Tiro e Sidom.
Observe a localização delas no mapa:

Tiro e Sidom eram duas importantes cidades fenícias localizadas na costa do atual Líbano, portanto cidades gentílicas. Foi nas partes de Tiro e de Sidom que Jesus atendeu o pedido de uma mulher cananeia, a fim de libertar a filha dela, que estava “miseravelmente endemoninhada”.
Essas duas cidades já haviam sido alvo do juízo de Deus antes, por causa de seus atos de impiedade, conforme consta em Ezequiel, capítulos 26 e 28.
Acerca de Cafarnaum, Corazim e Betsaida, nenhuma delas existe como centro povoado ou manteve a mesma relevância do passado. Muitos estudiosos veem nisso um eco do juízo de Jesus, a tribulação antecipada por causa da incredulidade e falta de arrependimento.
Embora muitos considerem a tribulação apenas um juízo de Deus, na verdade, ela tem outros propósitos, sendo os principais conformar os crentes à imagem do Senhor Jesus Cristo e “revelar/expor” os salvos ao mundo.
Exemplo disso é que, apesar da destruição de Betsaida, de lá saíram apóstolos e discípulos que pregaram por muitas outras regiões.
A tribulação não salva, mas ela está vinculada ao processo de salvação.
“tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.” Atos 14:21,22
Para entender isso melhor, é necessário saber a origem da palavra tribulação.

O tribulum era uma espécie de instrumento de madeira com pedras ou metais fixados na parte de baixo, usado para debulhar cereais, ou seja, separar o grão da palha por atrito e pressão.

O ato de passar o tribulum sobre o cereal era chamado de tribulare, um processo trabalhoso e até “doloroso” para a planta, uma analogia perfeita para momentos de sofrimento ou provação.
Esse atrito machucava o cereal, mas era necessário para libertar o grão, que era a parte útil e preciosa.
Da mesma forma, a tribulação na vida de uma pessoa é vista como um processo doloroso, mas que remove o que é inútil (palha) e revela o que é verdadeiro e precioso (a fé do salvo).
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” Romanos 5:3,4
“Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.” Atos 14:22
Isso nos ajuda a entender por que a tribulação não é apenas um tempo de sofrimento, mas um período de peneira e separação, no qual os fiéis serão revelados. Deus já sabe quem é o trigo e o joio, mas a tribulação mostrará para os homens o que eles realmente são.
As cidades impenitentes servem de alerta para nós e para as nações: quanto maior a luz recebida (quanto mais somos expostos à Palavra de Deus), maior também é a nossa responsabilidade diante de Deus.
]]>Texto base:
Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E logo os enviará. Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta: Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga. Indo os discípulos e tendo feito como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho. Então, puseram em cima deles as suas vestes, e sobre elas Jesus montou. E a maior parte da multidão estendeu as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, espalhando-os pela estrada. E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este? E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia! Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.” Mateus 21:1-14
1. Por que Jesus veio montado em uma jumenta e um jumentinho?
Conforme o texto base em Mateus 21:4-5, isso aconteceu para cumprir a profecia de Zacarias 9:9:
“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta.” Zacarias 9:9
Mas isso não explica tudo.
Na cultura antiga, reis montavam cavalos quando iam à guerra, mas, em missões de paz, usavam jumentos, que são símbolo de simplicidade, humildade e serviço.
Assim, Jesus se apresentou como o Rei que veio trazer paz e reconciliação entre Deus e os homens, não como um líder militar contra Roma.
Apocalipse 19:11-16 descreve que, em sua segunda vinda, Ele virá montado em um cavalo branco, pronto para julgar e guerrear. Na primeira vinda, porém, escolheu a jumenta para revelar sua missão pacífica.
Com isso, também concluímos que devemos adotar uma postura de humildade, seguindo o exemplo do Mestre e dos animais por Ele escolhidos.
Ao escolher um jumento para servir, no qual não há aparência de glória, Deus está dizendo que quem deve aparecer é o Unigênito, e não nós. A Deus, portanto toda a honra e glória!
2. Por que havia uma multidão em Jerusalém?
Segundo o texto de abertura, Jesus estava sendo acompanhado por uma multidão, alguns adiante e outros na retaguarda.
Porém, o texto também fala que toda a cidade ficou alvoroçada ao ver Jesus entrando em Jerusalém. O que essa outra multidão fazia ali perto do Portão Oriental e do Templo?
A resposta quem nos dá é João:
“No dia seguinte, a numerosa multidão que viera à festa, tendo ouvido que Jesus estava de caminho para Jerusalém, tomou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel!” (João 12:12,13)
A numerosa multidão estava ali inicialmente por causa da festa da Páscoa, que é celebrada a partir do dia 10 do mês de Nisan (o primeiro mês em Israel), segundo a ordem de Deus em Êxodo 12:1-3.
“Disse o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito: Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família.” (Êxodo 12:1-3)
Inicialmente cada família celebrava a Páscoa na sua própria cidade, porém com a centralização do culto no Templo, a Páscoa passou a ser celebrada apenas nele:
“Não poderás sacrificar a Páscoa em nenhuma das tuas cidades que te dá o Senhor, teu Deus, ⁶ senão no lugar que o Senhor, teu Deus, escolher para fazer habitar o seu nome, ali sacrificarás a Páscoa à tarde, ao pôr do sol, ao tempo em que saíste do Egito.” (Deuteronômio 16:5-6)
É por isso que Jerusalém estava cheia de pessoas de Israel.
O texto nos mostra que a presença física em eventos religiosos não garante conexão verdadeira com Cristo, sendo o caso de muitos daquela multidão, que mais tarde escolheriam um homem chamado Barrabás, assaltante, assassino, mas também um símbolo de resistência contra a dominação romana, atraindo a simpatia da multidão.
3. Por que ramos de palmeiras e gritos de Hosanas ao Filho de Davi?
Os ramos de palmeira são símbolo de vitória, realeza e libertação e aparecem na Bíblia em ocasiões especiais, como em Apocalipse 7:9:
“Depois disso, olhei, e eis que diante de mim havia uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e folhas de palmeira nas mãos.” Apocalipse 7:9
Tratam-se, portanto, de um elemento de glorificação.
O termo “Hosana”, do hebraico “הוֹשִׁיעָה נָּא” (Hôshî‘âh nā’), significa “Salva-nos, por favor!” ou “Salva-nos agora!”. Trata-se de um clamor messiânico por socorro urgente.
Ao dizer Filho de Davi, a multidão reconhecia que Jesus era proveniente da tribo de Judá e o Messias aguardado, algo que durou somente até o momento de Jesus começar a falar sobre a sua morte, como podemos ver no texto a seguir:
“Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se um grão de trigo não for jogado na terra e não morrer, ele continuará a ser apenas um grão. Mas, se morrer, dará muito trigo. Quem ama a sua vida não terá a vida verdadeira; mas quem não se apega à sua vida, neste mundo, ganhará para sempre a vida verdadeira. Quem quiser me servir siga-me; e, onde eu estiver, ali também estará esse meu servo. E o meu Pai honrará todos os que me servem. Jesus continuou: — Agora estou sentindo uma grande aflição. O que é que vou dizer? Será que vou dizer: Pai, livra-me desta hora de sofrimento? Não! Pois foi para passar por esta hora que eu vim. Pai, revela a tua presença gloriosa! Então do céu veio uma voz, que dizia: — Eu já a revelei e a revelarei de novo. A multidão que estava ali ouviu a voz e dizia que era um trovão. Outros afirmavam que um anjo tinha falado com Jesus. Mas ele disse: — Não foi por minha causa que veio esta voz, mas por causa de vocês. Chegou a hora de este mundo ser julgado, e aquele que manda nele será expulso. E, quando eu for levantado da terra, atrairei todas as pessoas para mim. Ele dizia isso para indicar de que maneira ia morrer. A multidão perguntou: — A nossa Lei diz que o Messias vai viver para sempre. Como é que o senhor diz que o Filho do Homem precisa ser levantado da terra? Quem é esse Filho do Homem? Jesus respondeu: — A luz estará com vocês ainda um pouco mais. Vivam a sua vida enquanto vocês têm esta luz, para que a escuridão não caia de repente sobre vocês. Quem anda na escuridão não sabe para onde vai. Enquanto vocês têm a luz, creiam na luz para que possam viver na luz. Depois que Jesus disse isso, foi embora e se escondeu do povo. Eles tinham visto Jesus fazer todos esses milagres, mas não criam nele.” João 12:24-37
Isso aconteceu porque os judeus queriam um Messias bélico, que os livrasse do poder de Roma, mas Jesus estava oferecendo libertação do poder das trevas.
Disso, podemos aprender que:
4. Por que Jesus passou pelo Portão Oriental?
O Portão Oriental era o caminho natural para quem vinha de Betfagé, passando pelo Monte das Oliveiras. Mas não é só esse o motivo.
Na ocasião da festa da páscoa, no dia 10 de Nisan os habitantes de Israel deveriam levar os cordeiros para serem sacrificados no Templo em Jerusalém, passando pelo Portão das Ovelhas. Esse Portão é mencionado por João:
“Ali existe um tanque que tem cinco entradas e que fica perto do Portão das Ovelhas. Em hebraico esse tanque se chama ‘Betezata’.” João 5:2
Porém o cordeiro simbólico nacional levado pelo sumo sacerdote (ou sacerdotes por ele escolhidos), segundo as tradições judaicas, era conduzido pelo Portão Oriental, o mesmo que Jesus utilizou para ter acesso ao Templo, porque Ele é Verbo encarnado e o Cordeiro de Deus!
Ao passar pela Porta, Jesus também estava cumprindo a antiga profecia de Ezequiel, que disse:
“Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o Senhor: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada.” Ezequiel 44:1-2
A profecia acima foi cumprida por Solimão, sultão do Império Otomano, em cerca de 1541 d.C. Ao reconstruir as muralhas de Jerusalém, ele mandou selar a Porta Oriental com pedras, porque temia o cumprimento de uma profecia sobre a vinda do Messias e a perda do domínio sobre as terras de Israel. Tenho estudo sobre esse assunto no endereço https://www.evangelismo.blog.br/2017/11/25/a-porta-dourada-aguarda-o-verdadeiro-messias/
Assim ficou o Portão após o cumprimento da profecia de Ezequiel.

Depois de passar pelo Portão Oriental, Jesus se dirigiu ao Templo na sequência. Agora é o momento oportuno para responder a última questão:
5. Por que Jesus entrou no Templo e o visitou até ser crucificado?
No dia 10 do mês de Nisan, o sumo sacerdote (ou os sacerdotes por ele escolhidos) tinha que trazer o cordeiro para o Templo, onde deveria permanecer à vista de todos, a fim de que fosse examinado pelos próximos 4 dias até ser sacrificado no dia 14 de Nisan.
“E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.” Êxodo 12:6
Normalmente esse cordeiro era trazido de Belém (Beith Lehen – Casa do Pão), a cidade de Jessé (1 Samuel 17:12) e Davi (Lucas 2:4) e também do nascimento do Senhor Jesus, por ser próxima de Jerusalém (aproximadamente 9 km) e por haver ali muitos criadores dedicados em servir o Templo com os animais para o sacrifício.
Você já deve ter notado e não se trata de coincidência.
Ao entrar no Templo depois de passar pela porta, Jesus, que é o Cordeiro de Deus, apenas seguiu o mesmo fluxo dos cordeiros simbólicos nacionais que foram sacrificados antes, que também entravam pela Porta Oriental e eram levados ao Templo, onde permaneciam até o momento do sacrifício.
Assim como os cordeiros pascais eram observados e examinados por quatro dias antes do sacrifício, Jesus também foi submetido, nesse mesmo período, ao escrutínio humano. Foi interrogado por líderes religiosos e julgado por diversas autoridades: Pilatos, que procurava soltá-lo; a esposa de Pilatos, que teve um sonho perturbador a seu respeito; Judas Iscariotes, que confessou ter traído sangue inocente; Herodes, que afirmou não encontrar nele motivo para condenação; e, por fim, até o centurião romano junto à cruz, que declarou: “Na verdade, este homem era justo.”
Da mesma forma que os cordeiros pascais eram sacrificados à tarde (Êxodo 12:6 e Levítico 23:5), expressão que no contexto rabínico do Segundo Templo referia-se ao período entre cerca de 15h e o pôr do sol, os Evangelhos relatam que Jesus rendeu o espírito por volta da “hora nona” (Mateus 27:46,50; Marcos 15:34-37; Lucas 23:44-46), ou seja, aproximadamente às 15h, como estamos acostumados a contar.
O interesse de Jesus logo entrar no Templo reflete o interesse que Ele tem de habitar em nossas vidas, logo após ultrapassar a “porta” do nosso coração (Apocalipse 3:20), pois nós somos o atual Templo no qual Deus deseja habitar.
É bom lembrar que a primeira providência que Jesus tomou ao entrar no Templo foi arrumar a Casa expulsando os mercadores e dar cura aos cegos e coxos. Ao entrar no “Templo” de nossas vidas (Apocalipse 3:20), Jesus deseja purificá-lo, assim como fez com o Templo de Jerusalém, curando-nos da cegueira espiritual e nos dando poder para andar em sua presença.
A entrada triunfal não foi apenas um ato simbólico, mas o cumprimento perfeito das Escrituras, revelando Jesus como o Cordeiro de Deus, o Rei pacífico e o Messias prometido.
Ela nos chama a reconhecer quem Ele é de fato, não apenas conforme nossas expectativas, mas segundo a verdade revelada na Palavra.
Glória a Deus pelo resgate por meio de Jesus Cristo!
]]>A cura de um menino
¹⁴ Quando eles chegaram perto da multidão, um homem foi até perto de Jesus, ajoelhou-se diante dele ¹⁵ e disse:
— Senhor, tenha pena do meu filho! Ele é epilético e tem ataques tão fortes, que muitas vezes cai no fogo ou na água. ¹⁶ Eu o trouxe para os seus discípulos a fim de que eles o curassem, mas eles não conseguiram.
¹⁷ Jesus respondeu:
— Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Tragam o menino aqui!
¹⁸ Então deu uma ordem, o demônio saiu, e no mesmo instante o menino ficou curado. ¹⁹ Depois os discípulos chegaram perto de Jesus, em particular, e perguntaram:
— Por que foi que nós não pudemos expulsar aquele demônio?
²⁰ Jesus respondeu:
— Foi porque vocês não têm bastante fé. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: se vocês tivessem fé, mesmo que fosse do tamanho de uma semente de mostarda, poderiam dizer a este monte: “Saia daqui e vá para lá”, e ele iria. E vocês teriam poder para fazer qualquer coisa! ²¹ [Mas esse tipo de demônio só pode ser expulso com oração e jejum.] Mateus 17:14-21 – NTLH
Um primeiro ponto de atenção está na atuação irregular dos discípulos. O leitor atento deve ter notado que o homem necessitado se dirigiu inicialmente aos discípulos, os quais fracassaram na missão de curar o filho dele. Depois de um intervalo não determinado, o homem se dirige sozinho e diretamente ao Senhor Jesus, para clamar por socorro, dizendo que os discípulos nada puderam fazer.
A resposta dura de Jesus “Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Tragam o menino aqui!” pode ter sido dirigida aos discípulos que, diante do fracasso, não conduziram o necessitado à presença do Mestre, abandonando-o sem uma solução definitiva.
Isso pode servir de alerta para nós, caso decidamos enterrar algum dom e guardar a presença do Senhor Jesus apenas para nós, algo que aparentemente os discípulos fizeram naquela ocasião.
Diante do fracasso ao tentarem expulsar um único demônio, os discípulos perguntaram o motivo a Jesus, que respondeu utilizando o exemplo da fé do grão de mostarda.
Para compreender adequadamente a parábola do grão de mostarda, é necessário entender o cenário onde Jesus estava inserido, quando ele proferiu essas palavras.
Segundo os textos circundantes, Jesus estava na região da Galileia, ao Norte de Israel, provavelmente próximo de Cafarnaum, em uma área de cultivo fora dos termos da cidade, perto do Mar da Galileia, o maior lago de água doce de Israel, cuja superfície das águas está a impressionantes 213 metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo. Para fins de comparação, o Mar Morto (salgado), na região da Judeia, está a 430 metros abaixo do nível do mar (ver mapa abaixo).

Ao observar a paisagem, Jesus podia ver o solo formado por rochas vulcânicas, especialmente o basalto. Para lavrar a terra, os agricultores eram obrigados a retirar essas pedras da superfície, liberando o solo fértil abaixo delas para o cultivo. Evidentemente, este não era um trabalho fácil.

As rochas removidas poderiam servir como cercas para marcar divisas ou simplesmente ser ajuntadas em pequenos “montes” espalhados pela propriedade, mais ou menos como mostrado nas imagens a seguir.


Jesus, o grande Mestre, usava os recursos didáticos ao seu alcance para ensinar os mistérios do Reino de Deus, às vezes falando sobre o pastor e suas ovelhas, os lírios do campo e as aves do céu, a galinha e seus pintinhos, o mosquito e o camelo e, entre outros, o grão de mostarda que seria capaz de mover um monte de seu lugar.
Ao mencionar o monte, Jesus estava se referindo a estes pequenos amontoados de rochas, que não conseguiram acabar com a determinação do grão de mostarda que caiu entre elas.
Essa comparação é válida, pois o pequeno grão de mostarda tem a capacidade de germinar no solo fértil da Galileia, lançar raízes profundas e crescer em direção à luz, enquanto sacia sua sede com a umidade retida sob as rochas. Seu caule, inicialmente fino, vai se fortalecendo com o tempo, até tornar-se uma árvore frondosa, capaz de mover as pedras ao seu redor — uma tarefa que, à primeira vista, pareceria impossível para uma semente tão pequena.
Tal como o solo fértil abaixo do grão, assim deve ser o nosso coração, uma terra fértil para a semente da Palavra de Deus. As raízes descendo profundamente indicam como deve ser o nosso nível de relacionamento e comprometimento com Deus. Assim como o caule é atraído pela luz em meio aos obstáculos, Jesus se apresenta para nós como a Luz do mundo, aquele que nos guia até mesmo nas tempestades da vida. As reservas de água e umidade escondidas abaixo das rochas remetem à presença do Espírito de Deus em nós, que sustenta, fortalece e nos impulsiona a seguir em frente.
Com todos esses elementos reunidos, nós venceremos os obstáculos da vida, da mesma forma que o grão de mostarda vence o monte!

A parábola da mostarda nos ensina também a manifestar uma fé persistente e determinada, mesmo diante dos desafios aparentemente maiores e mais duros do que nós. Mesmo nas situações mais complexas, nós devemos continuar avançando e confiando pacientemente, afinal não é da noite para o dia que a mostardeira vence o monte.
A persistência refere-se à capacidade de continuar tentando, de não desistir, mesmo diante de dificuldades e até fracassos. Já a determinação envolve a firmeza de propósito, a decisão de alcançar um objetivo.
Esses atributos estavam presentes na vida da mulher que sofreu de hemorragia por doze anos. Mesmo diante das sucessivas frustrações, ela não perdeu a fé, enfrentou os obstáculos, ali representados pela multidão e o isolamento social forçado (ela era considerada impura) e obteve a cura ao tocar na veste do Senhor Jesus (Mateus 9:18-26).
Isso significa que a nossa fé não pode ser baseada na lógica, em dados ou probabilidades, mas deve ser firmada no Poder de Deus, persistente e determinada.
O motivo determinante para os discípulos não expulsarem os demônios nesse episódio foi a falta de fé, talvez por ter faltado determinação ou persistência, devido à associação com grão de mostarda.
Há ainda um outro exemplo de tentativa frustrada de expulsão de demônios na Bíblia, porém com um resultado bem mais desagradável. Observe:
“¹³ E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. ¹⁴ Os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. ¹⁵ Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? ¹⁶ E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa.” Atos 19:13-16
Nesse episódio, aqueles homens acreditaram que o nome de Jesus possuía poder suficiente para expulsar demônios — tanto que se arriscaram publicamente, mesmo sendo judeus e filhos de um sumo sacerdote.
No entanto, não se tratava de uma fé aprovada, pois não eram verdadeiros discípulos de Cristo, tampouco viviam conforme os princípios do evangelho. Se o fossem, jamais teriam cobrado por esse tipo de prática, em obediência à ordem:
“Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.” Mateus 10:8
Pode-se deduzir que esses judeus ambulantes eram, na verdade, homens de negócio que tinham o exorcismo como uma atividade profissional e remunerada. Não eram, portanto, servos do Senhor Jesus, nem discípulos dispostos a segui-lo e obedecê-lo, o que explica o resultado tão desastroso.
Embora os sete judeus ambulantes tivessem a fé para utilizar o nome de Jesus, eles não possuíam legitimidade espiritual, pois não haviam se rendido verdadeiramente ao Senhor Jesus, nem tinham sido revestidos e selados pelo Espírito de Deus (2 Coríntios 1:22, Efésios 1:13; 4:30).
A obediência é um requisito para quem deseja alcançar resultados extraordinários trabalhando com Deus. Pedro e os demais passaram a noite sem pegar peixe algum, mas pela manhã, quando eles conheceram Jesus e obedeceram ao comando do Mestre, o resultado foi impressionante!
“⁴ E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. ⁵ E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede. ⁶ E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede.” Lucas 5:4-6
Concluindo, a fé é um elemento fundamental para andarmos com Deus, devendo ser manifestada com firmeza e confiança, persistência e determinação, de forma legítima e acompanhada de um padrão de vida coerente com os ensinamentos de Cristo.
Glória a Deus!
]]>Inicialmente, é importante registrar que a Bíblia foi escrita em contextos culturais específicos, que não refletem os valores morais absolutos, mas sim a forma como Deus se comunicava progressivamente com povos em realidades extremamente duras.
O pano de fundo por trás do Antigo Testamento é um Oriente Médio formado por sociedades tribais, patriarcais, muitas delas extremamente violentas. Naquele contexto, que era temporário, as leis mosaicas eram mais brandas e justas que as de outras nações da época (como as do Código de Hamurabi).
Um exemplo disso é o tratamento dado a pessoa que, sem intenção, causasse a morte de alguém. Observe:
“O Senhor Deus ordenou a Josué:
— Diga ao povo de Israel: “Escolham algumas cidades para fugitivos. Eu falei dessas cidades a vocês por meio de Moisés. A pessoa que, sem querer ou por engano, matar alguém poderá fugir para uma dessas cidades, para escapar do parente da vítima, que está procurando vingança. O fugitivo irá ao lugar de julgamento na entrada da cidade e explicará aos líderes o que aconteceu. Então eles o deixarão ficar na cidade e lhe darão um lugar para morar ali. O povo da cidade não entregará o fugitivo ao parente que está procurando vingança. Eles protegerão o fugitivo porque matou alguém sem querer e não por ódio. O fugitivo ficará na cidade até ser julgado na presença do povo dali e até que morra o Grande Sacerdote que estiver servindo naquele tempo. Aí poderá voltar para a sua cidade, a cidade de onde fugiu.” Josué 20:1-6
Mesmo no Antigo Testamento, encontramos inúmeras figuras de Cristo e de sua ação redentora, sendo as cidades refúgios uma delas.
A cidade refúgio e o Grande Sacerdote referidos no texto são elementos que apontam para o Senhor Jesus Cristo, nosso Grande Sacerdote (Hebreus 7:27) e para a finalidade de sua morte: nos livrar da condenação pelos nossos pecados, pois morrendo o Grande Sacerdote, o pecador (o homicida involuntário) não poderia mais ser punido, mesmo fora da cidade refúgio.
As leis tinham uma função civil e judicial para Israel, um povo nômade e em formação. Não eram universais nem eternas, mas parte de uma aliança específica, que atendia às demandas daquele momento.
A Lei foi dada por causa da dureza do coração humano (cf. Mateus 19:8), como uma medida provisória, até a vinda de Cristo, portanto com data marcada para acabar:
“De modo que a lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé.” Gálatas 3:24
A lei não era o modelo definitivo e final, mas uma forma momentânea de conter o mal em uma sociedade primitiva, embora alguns elementos de misericórdia já estivessem presentes.
Mesmo assim, muitos dos homens que viveram sob os cuidados da lei no período da antiga aliança não entenderam o plano de Deus sobre o exercício da misericórdia, apesar dos avisos dados de profetas, a exemplo de Oséias e Zacarias:
“E a palavra do Senhor veio a Zacarias, dizendo: Assim falou o Senhor dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão. E não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão. Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem.” Zacarias 7:8-11
A misericórdia é o ato de não dar ao outro o castigo que ele merece, oferecendo perdão, ajuda ou compreensão, movido por compaixão, mesmo quando uma lei o autoriza a exercer o juízo.
Vemos em José um exemplo de ato de misericórdia, quando optou por não invocar a aplicação da lei do apedrejamento pelo fato de Maria estar grávida sem a participação dele, o que lhe rendeu o título de “justo”.
“Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente..” Mateus 1:19
Sob a nova aliança, o Senhor Jesus revelou o ideal divino (Mateus 5–7), quando chamou o povo a amar o inimigo, perdoar e buscar a prática da justiça de Deus, expondo mais detidamente a importância do exercício da misericórdia, algo que foi repetido pelos seus discípulos.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;” Mateus 5:7
“Porque o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa do juízo.” Tiago 2:13
Para Deus, o exercício da misericórdia é mais desejado do que a aplicação da lei, que é, por si própria, uma espécie de figura para a gravidade das consequências para o pecado: a morte!
A Bíblia é uma narrativa progressiva e Cristo é a revelação final e perfeita de quem Deus é, algo que Moisés não podia alcançar com o antigo sistema legal e transitório.
Portanto o rapaz erra por não conhecer as Escrituras Sagradas, a progressividade da revelação, o mistério da misericórdia (mesmo sob a Antiga Aliança) e o caráter e justiça de Deus, que é o único digno de ser adorado.
A Deus toda honra e glória, porque Ele realmente merece.
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